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Conscientização

Combate à violência contra a mulher inspira curta-metragem da Cia Eskéte, em Umuarama

Produção ELE(A), de Vinicius Guerra, une teatro e audiovisual para dar voz a vítimas de abuso doméstico

Publicado em 28/08/2026 às 11:36

O roteiro nasceu a partir de estudos sobre casos reais de mulheres que sofrem violência de forma silenciosa (Foto: Cia Eskéte/Divulgação)

Combate à violência contra a mulher é o eixo central do curta-metragem ELE(A), produção audiovisual da Companhia Eskéte lançada em Umuarama durante o mês dedicado à conscientização sobre o tema. Estrelado por Camila Turcatto e Vinicius Guerra, com roteiro original e direção do próprio Vinicius e gravação e edição de Igor Gobbo, o projeto retrata o drama de mulheres submetidas a situações de coação e humilhação dentro de relacionamentos abusivos.

Segundo Vinicius Guerra, o roteiro nasceu a partir de estudos sobre casos reais de mulheres que sofrem violência de forma silenciosa. "A intenção foi levar o teatro para o audiovisual, com efeitos práticos e uma potência de exagero na atuação para que de alguma forma chocasse a quem assiste", afirma o diretor. Segundo ele, a escolha por manter uma linguagem teatral dentro do formato de vídeo busca aproximar o público da experiência das vítimas retratadas, ainda que por meio de uma narrativa ficcional.


Confira o curta:


Trajetória da companhia com temas sociais

A Companhia Eskéte tem histórico de produções voltadas a pautas sociais sensíveis, com espetáculos anteriores sobre feminicídio, combate ao uso de drogas e enfrentamento ao abuso sexual contra crianças e adolescentes. Com o ELE(A), o grupo amplia o alcance desse trabalho ao migrar dos palcos para as redes sociais.

"O objetivo do vídeo foi sair dos palcos e levar essa mensagem ao maior número de pessoas possível através das redes sociais, com atuações teatrais, porém com a linguagem audiovisual, dando voz e gerando conexão com as vítimas de casos como o que é retratado", explica Vinicius.

O que dizem os dados sobre violência doméstica em Umuarama

A produção dialoga com um cenário local que mistura avanços e retrocessos. Em 2025, a Delegacia da Mulher de Umuarama registrou ausência total de feminicídios consumados ou tentados na comarca — que também abrange Maria Helena, Douradina e Perobal —, ante três casos contabilizados em 2024. Para a delegada Fernanda Bertoco Mello, o resultado esteve relacionado ao fortalecimento de ações preventivas e à atuação rápida da corporação nos casos de violência doméstica, já que a intervenção no momento adequado pode evitar um feminicídio.

O balanço de 2025 também revelou aumento nas denúncias formais: os boletins de ocorrência subiram de 1.513, em 2024, para 2.132, alta de 41%, número interpretado pela Polícia Civil como reflexo de maior confiança das vítimas nas instituições. As Medidas Protetivas de Urgência solicitadas passaram de 593 para 636, e a Delegacia da Mulher realizou 170 prisões em flagrante no período.

O início de 2026, no entanto, mostrou que o problema segue presente na cidade. Em janeiro, uma mulher de 50 anos foi morta a golpes na cabeça pelo companheiro, de 36 anos, preso em flagrante. Em julho, a Polícia Militar registrou uma tentativa de feminicídio com golpes de faca e um caso de cárcere privado, além de centenas de ocorrências de violência doméstica no período.

O tema também ganhou espaço institucional na cidade neste ano. Em julho, mês em que o Paraná celebra o Dia Estadual de Combate ao Feminicídio — em memória da advogada Tatiane Spitzner —, a Prefeitura de Umuarama promoveu a 4ª Caminhada do Meio-Dia de Combate ao Feminicídio, enquanto a Câmara Municipal aprovou projeto que institui oficialmente a data como dia municipal de conscientização sobre o assunto.

Fonte: Portal da Cidade Umuarama

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