Umuarama
71 anos
História de Umuarama - PR
Umuarama, a Capital da Amizade
O nascimento de um projeto
A história da porção noroeste e norte do Paraná começa a ser desenhada não nos solos férteis da região, mas nos escritórios de Londres e nas mentes de estrategistas internacionais. Corria o ano de 1924 quando Lord Lovat, um refinado e astuto técnico em agricultura e reflorestamento vinculado à célebre Comissão Inglaterra Montagu, desembarcou no Brasil. Sua missão era técnica, mas sua visão revelou-se de um alcance geográfico impressionante.
Em suas andanças pelo Norte paranaense, Lovat deparou-se com uma barreira quase intransponível: a precariedade das vias de acesso. Naquela época, a primitiva estrada de ferro existente estendia-se por tímidos 25 quilômetros, impedindo qualquer avanço sistemático em direção ao coração da mata densa. Movido pelo desejo audacioso de desbravar mais de 350 quilômetros de floresta virgem até as margens imponentes do Rio Paraná, Lord Lovat organizou a Brasil Plantations.
A empresa adquiriu duas fazendas na porção leste do estado e apostou alto no cultivo do algodão. No entanto, a terra e o clima impuseram seus próprios caprichos, e as safras iniciais não atingiram as expectativas. Longe de significar um recuo, o revés preparou o terreno para algo maior: em 1937, as operações foram absorvidas por um conglomerado mais robusto, a Paraná Plantations Ltda, instituída em solo britânico no ano de 1925.
Paralelamente aos acertos financeiros na capital inglesa, nascia em solo brasileiro a engrenagem que mudaria definitivamente a geografia do estado: uma companhia subsidiária com escritório central em São Paulo e um capital inicial de mil contos de réis. Seu nome ficaria gravado na história: a Companhia de Terras Norte do Paraná.
Desbravando a mata
Para reger essa monumental operação de engenharia e logística, despontou a figura de Arthur Thomas. Assumindo a gerência e mantendo-se firmemente no comando até 1949, Thomas capitaneou estudos que analisaram o regime de chuvas, as nuances climáticas e a extraordinária fertilidade daquela terra roxa. Com os dados em mãos, a Companhia adquiriu a impressionante extensão de 515 mil alqueires de densas florestas tropicais.
O cenário, contudo, estava longe de ser pacífico. A região era palco de intensas disputas, conflitos e lutas jurídicas e físicas pela posse da terra. A liderança instalou seus escritórios diretamente no coração dessas áreas conflagradas e passou a dedicar-se obsessivamente ao estudo do povoamento e à criação de rotas de acesso. Sob o som de machados e motosserras, as primeiras estradas rasgaram a mata e, já no crepúsculo de 1930, os primeiros colonizadores começaram a chegar.
A década de 1930 avançou em um ritmo lento. O Brasil vivia sob insegurança político-econômica, e cada palmo de terra conquistado exigia sacrifício. Para mitigar o isolamento dos pioneiros, a Companhia de Terras do Norte do Paraná funcionava quase como um Estado paralelo: garantia aos colonos meios de transporte eficientes para suas famílias e safras, fornecia auxílio material na edificação das primeiras moradias de madeira, providenciava cuidados médicos emergenciais e praticava preços módicos nas terras para atrair novos braços para a lavoura.
Em 1944, com os desdobramentos e as severas dificuldades financeiras globais impostas pela Segunda Guerra Mundial, os investidores ingleses decidiram passar o bastão. Foi então que um consórcio de empresários e financistas brasileiros adquiriu a companhia. O grupo — formado por nomes de peso como Gastão Vidigal, Cássio Vidigal, Gastão de Mesquita Filho, Fábio Prado, Silvio Bueno Vidigal e o próprio Arthur Thomas (o antigo gerente que conhecia cada picada na mata) — injetou novo fôlego ao projeto.
Eles transformaram os planos originais em realidade através do loteamento ordenado, da introdução massiva das lavouras de café e do desenvolvimento de pastagens para a engorda de gado. Desse planejamento, uma constelação de novas cidades começou a emergir do chão da floresta. Entre elas, despontava a futura Umuarama. Em virtude de tamanha reestruturação e pujança, em 1951 a empresa foi rebatizada como Companhia Melhoramentos Norte do Paraná.
O mosaico humano
O avanço da Companhia Melhoramentos era incessante e logo alcançou uma vasta região geográfica conhecida como "Cruzeiro". Ali, através de um contrato com terceiros, a empresa assumiu a responsabilidade de colonizar uma área de 30 mil alqueires de terra roxa. Foi exatamente nessa vasta gleba que brotou o núcleo urbano de Umuarama. Inicialmente, a localidade ostentava a condição de um pacato distrito subordinado ao município de Cruzeiro do Oeste. Para administrar o vilarejo que se expandia, o então prefeito de Cruzeiro do Oeste, Sr. Aparecido Teixeira D'Avila, assinou a Portaria nº 319, nomeando o pioneiro Sr. Durval Seifert como o primeiro subprefeito da localidade.
Os relatos dos historiadores e a memória dos antigos contam que os primeiros a pisar naquelas paragens eram aventureiros, atraídos pela promessa de riqueza e pela mística da fronteira agrícola. Alojavam-se inicialmente em acampamentos improvisados e pequenas povoações rústicas às margens dos rios locais. Esses homens e mulheres vinham de todos os quadrantes do mapa do Brasil — mineiros, baianos e uma forte leva de migrantes do Nordeste.
Tinham hábitos e costumes profundamente contrastantes. Dormiam onde a noite os encontrasse, muitas vezes chegando desacompanhados de suas famílias para trabalhar no regime de empreitada na derrubada da floresta. Outros, mais decididos, traziam a família a tiracolo, enfrentando o barro e as chuvas torrenciais que isolavam as estradas por semanas, para ver o tombo da mata dar lugar às fileiras verdejantes de café e cereais. Pouco a pouco, o tecido social umuaramense foi enriquecido por correntes migratórias paulistas, catarinenses e gaúchas. Estatísticas históricas desenham esse mosaico étnico que compôs a população pioneira:
- Imigrantes de origem italiana: correspondiam a 60% do contingente;
- Imigrantes de origem portuguesa: representavam 20% da população;
- Imigrantes de origem japonesa: compunham 15% dos moradores;
- Outras nacionalidades e etnias: fechavam os 5% restantes.
Periodicamente, as diferentes colônias realizavam festas comunitárias inesquecíveis, onde cultuavam as tradições, as músicas, as danças e a culinária de suas terras de origem, integrando-se em um solo comum.
Raízes indígenas e o marco zero
Enquanto a língua portuguesa estabelecia-se como o idioma dominante do comércio e da vida pública, os ecos do passado nativo da terra permaneciam vivos na região da Serra dos Dourados. Entre os anos de 1949 e 1958, expedições científicas de grande relevância, comandadas pelo antropólogo Loureiro Fernandes e apoiadas pela Universidade Federal do Paraná, adentraram o território para estudar a riqueza humana e natural da floresta.
Nessas andanças, os pesquisadores constataram a presença e a rica herança cultural de um grupo de índios Xetás, pertencentes à grande matriz linguística Tupi-Guarani, estimado na época entre 200 e 300 indivíduos. Para dar assistência ao grupo diante da rápida transformação do espaço ao redor, foi estruturado um pequeno posto de atendimento na Fazenda Santa Rosa, sob os cuidados dedicados do Sr. Antônio Lustoso de Freitas.
Com o avanço natural da agricultura e o desenvolvimento das propriedades, esse grupo indígena buscou o recuo em direção a novas áreas preservadas da região, restando um valioso legado cultural. Os minuciosos estudos da Universidade do Paraná permitiram inventariar e salvaguardar para a posteridade os detalhes de sua alimentação, vestuário, vasilhames utilitários, instrumentos de caça, armas, manifestações artísticas e o seu dialeto, considerado um Tupi-Guarani quase puro.
A própria região da Serra dos Dourados possui sua crônica particular. Ela foi inicialmente explorada e convertida em um pequeno e promissor vilarejo pelas mãos da Colonizadora Miamora, em 1950, durante o mandato do governador Moisés Lupion. Após três anos de intensa colonização, o cenário político estadual mudou, passando o comando do governo a Bento Munhoz da Rocha. Em 1957, a Miamora vendeu seus ativos para a Companhia Cobrinco e, finalmente, em 1961, o distrito de Serra dos Dourados foi oficialmente integrado e reconhecido sob a jurisdição do município de Umuarama.
A toponímia da Serra dos Dourados, inclusive, divide as opiniões dos antigos pioneiros: uns sustentam que o nome nasceu devido à impressionante quantidade de serpentes da espécie Jararacuçu-Dourado encontradas durante a abertura das picadas; outros, de forma mais poética, afirmam que era uma referência direta à tonalidade da pele dos nativos que habitavam aquela imensa cordilheira verde.
O nascimento de Umuarama
O marco zero de Umuarama está intrinsecamente atado à abertura dos primeiros escritórios de madeira da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná. Foi exatamente naquele quadrilátero histórico que, em 26 de junho de 1955, reuniu-se a liderança regional para formalizar o nascimento da cidade. A ata oficial de fundação, lavrada com solenidade, trazia o seguinte texto histórico:
"Aos vinte e seis dias do mês de junho de um mil novecentos e cinqüenta e cinco, A Companhia Melhoramentos Norte do Paraná, representada por seus diretores e chefes de serviço, declara inaugurada a cidade de Umuarama, situada no Núcleo Cruzeiro, quilômetro 522, da linha ferroviária que de Ourinhos demanda Guaíra, município de Cruzeiro do Oeste e Comarca de Peabiru. Umuarama, 26 de junho de 1955”.
Na mesma tarde, os pioneiros assinaram a Ata de Fundação do Aeroporto de Umuarama, antevendo a vocação de polo regional que a cidade carregaria. A emancipação política definitiva e a criação oficial do município ocorreram cinco anos mais tarde, em 25 de julho de 1960, por meio da Lei Estadual nº 4.245, desmembrando a cidade do território de Cruzeiro do Oeste. Em 3 de agosto de 1963, o município foi elevado ao status de sede de Comarca, em um ato solene presidido pelo então desembargador Antônio Franco Ferreira da Costa, presidente do Tribunal de Justiça do Paraná.
A escolha do nome "Umuarama" é uma crônica de erudição. O termo é um neologismo criado pelo renomado professor e filólogo Francisco da Silveira Bueno. Ele explicava que a primeira estrutura mental pensada foi Emburana, uma aglutinação dos termos indígenas embu (lugar), ara (claridade, dia, sol) e ama (sufixo coletivo). Buscando uma sonoridade mais fluida e harmônica, o professor consultou o então presidente do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, Afonso A. de Freitas.
De comum acordo, ambos lapidaram o vocábulo até chegar à forma definitiva: Umuarama, cujo significado técnico e poético traduz-se como "Lugar ensolarado, alto, de bom clima, para encontro de amigos" ou "Reunião de Amigos". A palavra fez fortuna. Originalmente aplicada para batizar uma colônia de férias do Mackenzie College em Campos do Jordão (SP), acabou se tornando um termo nacional, batizando hotéis, cinemas e clubes.
Há, contudo, outra vertente histórica guardada nos registros pioneiros: o desbravador Sr. Raimundo Durães afirmava que a inspiração local teria vindo de um hotel de mesmo nome na cidade de Ribeirão Preto (SP), cuja atmosfera acolhedora combinava perfeitamente com o espírito da nova colônia que nascia no Paraná.
Institucionalização
Uma vez instituído o município, o Governador do Paraná, Moisés Lupion, nomeou o Sr. Walter Zanotto Lopes para atuar como o primeiro prefeito de transição. Pouco tempo depois, em 8 de outubro de 1961, a comunidade viveu sua primeira eleição democrática para os cargos do Executivo e do Legislativo. O pleito, conduzido pela Comarca de Peabiru, foi presidido pelo Juiz de Direito Dr. José de Mello e consagrou o pioneiro Hênio Romagnolli como o primeiro prefeito eleito pelo povo, cumprindo seu mandato na gestão histórica de 1961 a 1965.
Paralelamente à política, a fé e o espírito comunitário lançavam suas raízes. A histórica primeira missa da cidade foi celebrada em 16 de agosto de 1955 pelo Frei Estevão Maria, em um altar improvisado em frente ao cruzeiro de madeira que servia como o Marco de Fé, local onde hoje se ergue a imponente Igreja Matriz.
No ano seguinte, em 15 de agosto de 1956, a primeira capela de madeira foi entregue à comunidade e, em 21 de janeiro de 1961, foi oficialmente erigida a Paróquia de São Francisco de Assis. A educação e o amparo social ganharam um reforço monumental com a chegada das irmãs do Imaculado Coração de Maria, que instalaram o tradicional Educandário São José em 22 de março de 1961. O Cartório de Registro Civil foi fundado em 15 de outubro de 1955. Dali saíram os primeiros documentos oficiais da comunidade:
- Primeiro registro de óbito: Geraldo Soares dos Reis, em 20 de setembro de 1955;
- Primeiro casamento formal: João de Souza e Etelvina Francisca de Jesus, em 15 de outubro de 1955;
- Primeiro registro de nascimento: o menino Odair Dias, em 17 de outubro de 1955.
A Câmara Municipal instalou seus trabalhos legislativos em 21 de novembro de 1961, em uma sessão solene presidida provisoriamente pelo vereador mais idoso daquela legislatura, o Sr. José Honório Ramos. Naquela mesma assentada, o vereador Otávio Barbosa da Silva foi eleito como o primeiro presidente do parlamento municipal.
O progresso estrutural de Umuarama deu passos largos. A primeira instituição de ensino nasceu por iniciativa da própria Companhia Melhoramentos, recebendo o nome de Escola Isa Mesquita, tendo como sua professora pioneira a Sra. Helena Betina Vilas Boas. Antes mesmo da emancipação política, o comércio e as finanças já davam sinais de força com a fundação do Banco Mercantil de São Paulo em 3 de junho de 1957, sob a gerência pioneira de Valentin Santo Furlin. O amparo à saúde estruturou-se com a abertura dos primeiros hospitais — o Hospital Umuarama e o Hospital São Francisco — e o atendimento farmacêutico das pioneiras farmácias Santo Antônio, Confiança e Vitória.
O convívio social e o lazer ganharam espaços de destaque através do associativismo. Em 1962, nasceu o Country Club, sob a primeira presidência de Geovanni Galleto. Em 1964, foi fundado o Harmonia Clube de Campo, liderado inicialmente por Ivon Scarpin. Anos mais tarde, em 26 de junho de 1977, a forte herança lusitana celebrava a fundação do Clube Recreativo Português. Grandes marcos físicos coroaram as décadas seguintes: o Parque de Exposições foi inaugurado em 16 de fevereiro de 1974, tornando-se o palco do agronegócio regional; e o imponente Centro Cultural Schubert teve suas obras concluídas em 3 de março de 1990.
A sede do poder Executivo também acompanhou a modernização da cidade. O antigo prédio da Prefeitura Municipal funcionava na rua Arapongas, nas proximidades da Praça Arthur Thomas. Em 27 de abril de 1982, a administração pública transferiu-se definitivamente para o moderno Paço Municipal, localizado na avenida Rio Branco, 3717. O esporte municipal ganhou seu templo em 13 de novembro de 1980 com a fundação do Ginásio de Esportes Ney Braga; anos mais tarde, em uma justa homenagem legislativa da Câmara de Vereadores ao legado do saudoso Professor Amário, o local foi rebatizado como Ginásio Amário Vieira da Costa. A justiça consolidou sua estrutura com a instalação definitiva do Fórum em 3 de agosto de 1963, tendo como seu primeiro Juiz de Direito empossado o Excelentíssimo Dr. Antônio Gomes da Silva.
Um lugar de todos e para todos
O Ensino Superior, motor de transformação e atração de jovens de todo o Brasil, fincou suas bases em 1972 através da Associação Paranaense de Ensino e Cultura, hoje consolidada e reconhecida como a prestigiada Universidade Paranaense (Unipar), instituição que fincou a identidade de Umuarama como uma "Cidade Universitária".
Hoje, Umuarama ergue-se com orgulho sobre o solo que os pioneiros desbravaram. A cidade encontra na notável diversidade de suas fontes de renda a sustentação para figurar como um dos principais e mais dinâmicos polos de desenvolvimento de todo o estado do Paraná. Sua economia caminha de forma harmônica entre a força do comércio varejista, serviços de saúde, a educação de alto nível e a pujança de seu agronegócio, sustentado por uma agricultura moderna e uma pecuária de corte e leite altamente competitiva, dinamismo que reflete-se diretamente em seu tecido urbano, apresentando um dos maiores índices de crescimento imobiliário do Brasil.
Para que a memória do solo jamais seja esquecida e o respeito às origens permaneça vivo no coração das futuras gerações, a cidade adotou um embaixador muito especial. Inspirado na riqueza histórica do povo Xetá e na própria essência do idioma que traduz Umuarama como a "Reunião de Amigos", nasceu o Umuaraminha. Criado pelo cartunista Marcos Roberto Vaz e oficializado como um dos símbolos oficiais do município por meio da Lei Orgânica Municipal número 01/90, o carismático curumim representa o amor incondicional pela natureza e carrega uma mensagem atemporal e permanente: Umuarama continuará crescendo em direção ao futuro, sem jamais esquecer a hospitalidade e a amizade que lhe deram nome e alma.

Galeria histórica de prefeitos de Umuarama (1960-2028)
- Walter Zanoto Lopes — 1960/1961
- Hênio Romagnolli — 1961/1965
- Marciano Baraniuk — 1965/1969
- João Cioni Neto — 1969/1973
- Durval Seifert — 1973/1977
- João Cioni Neto — 1977/1980
- Tuguio Setogutte — 1980/1982
- Jorge Vieira — 1982
- Antonio Romero Filho — 1983/1988
- Alexandre Ceranto — 1989/1992
- Antonio Romero Filho — 1993/1996
- Fernando Scanavaca — 1997/2000
- Fernando Scanavaca — 2001/2004
- Luiz Renato de Azevedo Ribeiro — 2005/2008
- Moacir Silva — 2009/2012
- Moacir Silva — 2013/2016
- Celso Luiz Pozzobom — 2017/2020
- Celso Luiz Pozzobom — 2021/2024
- Fernando Scanavaca — 2025/2028



Os legados da nossa terra
Expo Umuarama
Durante as primeiras décadas de emancipação, o poder executivo municipal operou numa estrutura rústica de madeira na Rua Arapongas, junto à Praça Arthur Thomas, que servira previamente de escritório de planeamento para a própria Companhia Melhoramentos 1 . Foi nesta conjuntura de rápido crescimento urbano e afirmação da pecuária de corte que as lideranças políticas e económicas sentiram a necessidade de criar uma plataforma de exibição e comercialização que projetasse o município como a "Capital do Boi”.
A criação da primeira grande feira agropecuária de Umuarama foi anunciada formalmente em janeiro de 1974, motivada pelo estabelecimento da região como um dos grandes centros de produção pecuária do Sul do país. O evento foi inicialmente batizado com a designação de EXAPIU — sigla para Exposição Feira Agropecuária e Industrial de Umuarama. O seu lançamento oficial deu-se a 16 de fevereiro de 1974, um sábado que registou uma mobilização comercial sem precedentes na região.
A inauguração solene do certame e do respetivo Parque de Exposições ocorreu na manhã ensolarada de 18 de fevereiro de 1974. O ato contou com a presença do então Governador do Estado do Paraná, Emílio Gomes, acompanhado pelo Prefeito Hênio Romagnolli.
O impacto econômico da primeira EXAPIU fez-se sentir dias antes da abertura das portarias. Os hotéis locais foram totalmente ocupados por produtores rurais de todo o estado e do vizinho estado de Mato Grosso do Sul, enquanto os estabelecimentos comerciais registaram lucros inéditos. Os camponeses locais deslocavam-se até ao centro da cidade, por vezes utilizando carroças, para adquirir trajes típicos e vestidos de montaria com o intuito de participar de forma caraterística na feira.
A segunda edição da feira, realizada em 1975 sob o nome de II EXAPIU, foi inaugurada formalmente sob a liderança do Prefeito Durval Seifert, cujo mandato decorreu entre 14 de janeiro de 1975 e 1 de fevereiro de 1977. Durval Seifert, figura relevante da administração municipal que também instituiu o Brasão de Armas de Umuarama através da Portaria nº 29/1975, presidiu à abertura do evento ao lado de autoridades como o Tenente Gentil Fortes e o pioneiro João Milanez.
O concerto de encerramento de Roberto Carlos, realizado no domingo, 16 de fevereiro de 1977, marcou o auge do modelo inicial da EXAPIU, atraindo milhares de espectadores e posicionando o certame no roteiro dos grandes espetáculos culturais do Sul do Brasil. O nome do Prefeito Durval Seifert foi posteriormente imortalizado na infraestrutura municipal, batizando instituições de ensino e assistência, como a Escola Estadual Durval Seifert e o Centro de Convivência do Idoso Prefeito Durval Seifert.
O papel da Sociedade Rural de Umuarama
A transição de uma feira de cariz municipal para um evento de escala nacional e internacional foi viabilizada pela fundação e atuação da Sociedade Rural de Umuarama (SRU). A SRU assumiu a gestão integral do Parque de Exposições, profissionalizando a captação de patrocinadores, a realização de leilões genéticos e o planeamento técnico das feiras.
Ao longo das décadas, a associação patronal foi liderada por direções de relevo no panorama do agronegócio. No início do século XXI, a Sociedade Rural de Umuarama, sob a presidência de Sidney Lujan, promoveu a 26ª Exposição Agropecuária de Umuarama (EXPO-2000), período em que se consolidou a transição tecnológica da pecuária regional e se promoveu a introdução de novos critérios sanitários e de rastreabilidade animal.
A partir de 2016, a presidência da SRU foi assumida pelo pecuarista Milton Gaiari, cuja administração se caraterizou pela modernização digital da feira, pela ampliação das parcerias institucionais e pela expansão do Parque de Exposições. A estabilidade administrativa da SRU reflete-se igualmente nas suas parcerias estratégicas de longo prazo. Outro pilar de sustentação financeira e de fomento aos expositores é a parceria com a cooperativa de crédito Sicredi Vale do Piquiri Abcd PR/SP, que disponibiliza linhas de financiamento rurais específicas para a aquisição de equipamentos e matrizes pecuárias durante o certame.
Parque Internacional Dario Pimenta da Nóbrega
O recinto de exposições, inicialmente denominado Parque Governador Emílio Gomes, foi rebatizado como Parque Internacional Dario Pimenta da Nóbrega, situando-se ao quilómetro 304 da Rodovia PR-323. O espaço expandiu-se continuamente ao longo das décadas, atingindo na atualidade uma área global de cerca de 300 mil metros quadrados. A sua modernização física incluiu a pavimentação asfáltica das avenidas internas de circulação, a instalação de redes elétricas de alta capacidade e a construção de pavilhões permanentes em betão armado e aço.
As principais infraestruturas que compõem o complexo moderno incluem o Recinto de Leilões Pedro Lino Gaiari, uma estrutura de referência concebida para albergar confortavelmente compradores e leiloeiros durante os arremates de reprodutores e gado de corte. Para a celebração da histórica 50ª edição (Jubileu de Ouro) em 2025, o parque foi alvo de uma ampla intervenção de engenharia e paisagismo, que abrangeu a renovação das bancadas da arena central, a instalação de camarotes modernos, a criação de áreas gourmet em formato de bistrô e a reestruturação dos acessos de emergência.
A feira cumpre um papel importante na disseminação de conhecimento e inovação tecnológica direcionada para o campo. A nível da pecuária de elite, o certame atua como pista de julgamento e comercialização de raças de elevado mérito genético, apresentando planteis de Nelore, Nelore Pintado, Brahman, Tabapuã, Brangus e raças leiteiras especializadas.
A introdução da raça Senepol no mercado regional constitui um exemplo desta dinâmica. O criador Diogo Bianchi, da marca Senepol 3B, iniciou as suas atividades em 2015, utilizando a Expo Umuarama como a sua principal montra comercial. Após o encerramento do estado do Paraná como área livre de febre aftosa sem vacinação — decisão que vedou a importação de touros de estados vizinhos sem o mesmo estatuto —, a procura por reprodutores locais cresceu rapidamente. A produção da cabanha expandiu-se de 100 para 400 reprodutores anuais em menos de uma década, impulsionada pelo espaço cedido pela feira, que também acolheu a primeira reunião itinerante da Associação Brasileira dos Criadores de Senepol (ABCBSenepol) sob a liderança técnica de Celso Menezes.
A defesa sanitária e a sustentabilidade são garantidas por meio de parcerias com entidades oficiais. O Escritório Regional de Umuarama da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) marca presença com stands educativos focados no conceito de "Saúde Única" (interligando a saúde humana, animal e ambiental), apresentando mostras de patologias, metodologias de captura de morcegos hematófagos e promovendo a assinatura de acordos de cooperação técnica.
No âmbito da conservação do solo, a SRU acolheu reuniões do programa estadual Prosolo, promovendo palestras de engenheiros agrónomos como Marcos Vieira sobre as interações económicas da preservação da água e do solo na rotina das explorações agrícolas. A programação técnica do IDR-Paraná e de parceiros estende-se a seminários especializados sobre a cultura da mandioca, técnicas de avicultura, maneio de pecuária leiteira e olericultura.
No domínio da ciência aplicada, a Universidade Estadual de Maringá (UEM) participa ativamente na feira através do Museu Dinâmico Interativo (MUDI), que, com o apoio financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), exibe acervos científicos interativos de anatomia e física, aproximando a produção científica universitária da população regional.A nível de serviços públicos e segurança, a Copel (Companhia Paranaense de Energia) utiliza a sua presença no certame para educar os operadores de maquinaria pesada sobre os riscos de contacto com cabos elétricos de alta tensão durante as colheitas, promovendo em simultâneo os investimentos do programa Paraná Trifásico de modernização da rede elétrica rural.
Por fim, o compromisso comunitário do certame evidencia-se nas suas campanhas de solidariedade social. Na edição de 2026, a recolha de alimentos efetuada nas bilheterias do parque traduziu-se na arrecadação de 32 toneladas de produtos essenciais, superando as 30 toneladas registadas na edição anterior. A triagem e o acondicionamento dos alimentos básicos (arroz, feijão, farinha, óleo de soja e açúcar) foram efetuados no Centro de Eventos Prefeito Alexandre Ceranto, sob a organização da Secretária de Assistência Social, Maria Luísa Ribeiro Bertoco, e da Vice-Prefeita Márcia Bononi, garantindo o abastecimento contínuo de dezenas de instituições assistenciais e de agregados familiares em situação de vulnerabilidade social na região.
Crescimento pós-pandemia
A 46ª edição, planeada para decorrer entre 12 e 22 de março de 2020, foi cancelada e posteriormente adiada devido à pandemia de COVID-19 e à necessidade de cumprimento dos decretos sanitários estaduais. A Sociedade Rural, sob a presidência de Milton Gaiari, adiou o evento para março de 2022, assegurando a validade dos bilhetes adquiridos em 2020 para espetáculos de artistas como Gusttavo Lima, Marília Mendonça e Lauana Prado.
O regresso oficial em 2022 traduziu-se num sucesso comercial e de afluência de público, estabelecendo uma nova base de crescimento que se estendeu até 2026, com uma consolidação acentuada das receitas de leilões, comércio e prestação de serviços. Na 47ª edição (2022), a feira recebeu aproximadamente 282 mil visitantes, movimentando cerca de R$ 76 milhões em negócios e contando com 546 expositores. O evento marcou a retomada do crescimento após os desafios enfrentados nos anos anteriores.
Em 2023, durante a 48ª edição, houve uma leve redução no público, com 261 mil visitantes, mas a movimentação financeira aumentou para R$ 81 milhões, demonstrando maior volume de negócios por participante. O número de expositores permaneceu estável, com aproximadamente 550 empresas e instituições participantes.
A 49ª edição, realizada em 2024, voltou a registrar crescimento, alcançando 266 mil visitantes. O volume de negócios teve um avanço expressivo, chegando a R$ 100 milhões, enquanto o número de expositores aumentou para 580, refletindo a ampliação da feira e o fortalecimento do interesse comercial. Em 2025, na 50ª edição, a Expo Umuarama atingiu um de seus melhores desempenhos recentes, reunindo 296 mil visitantes e movimentando R$ 120 milhões em negócios. O total de expositores manteve-se em 580, evidenciando a consolidação da estrutura do evento e sua capacidade de gerar resultados econômicos cada vez maiores.
Para 2026, na 51ª edição, as margens indicaram a continuidade dessa trajetória de crescimento. A feira superiu a marca de 300 mil visitantes, alcançou aproximadamente R$ 130 milhões em negócios e reuniu cerca de 600 expositores. De forma geral, os dados demonstram que a Expo Umuarama vem ampliando sua relevância econômica e institucional ano após ano. Entre 2022 e a projeção para 2026, o volume de negócios deve crescer cerca de 66%, passando de R$ 76 milhões para R$ 126 milhões.
Desde a sua fundação em 1974 como EXAPIU até à sua consolidação contemporânea como feira de projeção internacional, o certame funcionou como um motor de desenvolvimento tecnológico para o agronegócio e como um polo de atração de investimentos e infraestruturas essenciais para a Amerios. A convergência bem-sucedida entre o setor produtivo, a pesquisa científica, o planeamento público e a solidariedade comunitária assegura à feira um papel central no progresso regional, cumprindo a vocação original de Umuarama como o grande ponto de encontro de esforços para o desenvolvimento sustentável do Sul do Brasil.
Diocese de Umuarama
Nas décadas de 1950 e 1960, o Noroeste paranaense virou o destino de milhares de famílias vindas de Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Nordeste. Atraídos pelas companhias colonizadoras, os migrantes chegavam em caminhões "pau-de-arara", enfrentando picadas na mata e estradas que viravam lama pura a cada chuva. A vida espiritual acompanhava o ritmo dos machados. Antes de haver igrejas, a fé acontecia embaixo de árvores ou em ranchos de palmito. Padres das congregações dos Palotinos e Capuchinhos viajavam quilômetros a cavalo ou em jipes velhos para batizar, casar e celebrar missas nas chamadas "capelas de madeira". Umuarama crescia rápido. De uma clareira na floresta planejada pela Companhia Melhoramentos Norte do Paraná, tornou-se o polo da região.
Toda a região noroeste esteve inicialmente subordinada à jurisdição eclesiástica da Prelazia de Foz do Iguaçu, criada pelo Papa Pio XI em 10 de maio de 1926. O então bispo prelado, Dom Manoel Koenner, realizou a primeira visita pastoral ao território em outubro de 1940, constatando o rápido adensamento populacional.
O primeiro marco eclesial definitivo da região onde hoje se assenta a Diocese de Umuarama deu-se no município de Cruzeiro do Oeste. Em 8 de abril de 1954, Dom Manoel Koenner emitiu um decreto criando a Paróquia Santa Cruz (posteriormente denominada Paróquia Nossa Senhora de Fátima), desmembrando-a da Paróquia de Peabiru, que na época funcionava como comarca administrativa e comercial de todo o noroeste. A condução da nova paróquia foi confiada à Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, que enviou o Frei Celestino em junho de 1954. A edificação do primeiro templo enfrentou grandes provações: em 12 de dezembro de 1954, um forte vendaval destruiu a igreja de madeira de 850 metros quadrados — então considerada o maior templo do norte do Paraná — quando esta se encontrava em fase final de acabamento, sendo devidamente reconstruída.
Na recém-nascida Umuarama, a primeira missa na localidade foi celebrada em 1955 pelo Frei Estevão, que permaneceu na região até ser transferido para Maringá em dezembro de 1957. Para dar continuidade aos trabalhos, o Frei Germano Barizon chegou à localidade em janeiro de 1959. Em 19 de fevereiro de 1961, Frei Cassiano Maria de Colombo, OFMCap (conhecido popularmente como Frei Orlando Busatto), tomou posse como o primeiro pároco da Paróquia São Francisco de Assis de Umuarama, por provisão de Dom Eliseu Simões Mendes, primeiro bispo de Campo Mourão. A rápida consolidação dessas primeiras comunidades contou com a dedicação de diversas congregações masculinas e femininas, como os Capuchinhos, Claretianos, Dehonianos, Palotinos, Carmelitas, Irmãs Vicentinas, Irmãs do Imaculado Coração de Jesus, Irmãs da Divina Providência e as Irmãs de São José de Chambery.
Com a criação da Diocese de Campo Mourão em 20 de junho de 1959, desmembrada da Diocese de Ponta Grossa, toda a região de Umuarama passou a integrar o território desta nova circunscrição. A Diocese de Campo Mourão possuía um território original gigantesco de 25.967,78 km², englobando 40 municípios e uma população estimada em 500 mil habitantes no censo de 1960. A gestão e o acompanhamento pastoral de uma área tão vasta apresentavam severos desafios logísticos.
Para otimizar a ação evangelizadora e descentralizar a administração eclesiástica, a Santa Sé promoveu desmembramentos sucessivos do território de Campo Mourão. Em 1964, o Papa Paulo VI emitiu a bula Ad Maiorem Dominici Gregis, instituindo a Diocese de Apucarana. Em 1965, por meio da bula Christi Vices, foi criada a Diocese de Guarapuava. Finalmente, diante do contínuo crescimento urbano e pastoral da porção mais ocidental do território, o Papa Paulo VI promulgou, em 26 de maio de 1973, a Bula Pontifícia Apostolico Officio, criando oficialmente a Diocese de Umuarama.
O território da nova diocese foi totalmente desmembrado de Campo Mourão. Essa redução territorial acabou por beneficiar ambas as circunscrições: permitiu que a Diocese de Campo Mourão dinamizasse o seu próprio plano pastoral, criando 30 novas paróquias entre 1961 e 2007, enquanto viabilizou para Umuarama o nascimento de uma estrutura administrativa eclesial independente, que já contava em sua instalação com 23 paróquias organizadas.
Para conduzir a recém-criada Diocese de Umuarama, o Papa Paulo VI nomeou, em 12 de junho de 1973, o sacerdote palotino Padre José Maria Maimone, S.A.C.. Sua ordenação episcopal ocorreu em Roma, na Basílica de São Pedro, pelas mãos do próprio Sumo Pontífice, em 29 de junho de 1973. A instalação canônica da Diocese do Divino Espírito Santo e a tomada de posse de Dom José Maria realizaram-se em 16 de setembro de 1973, em cerimônia solene presidida pelo Arcebispo de Londrina, Dom Geraldo Fernandes.
Dom José estabeleceu três grandes pilares pastorais para a consolidação da diocese:
- A proliferação e o fortalecimento das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), visando à formação ativa de lideranças leigas;
- O incentivo sistemático à formação de religiosos e vocações autóctones;
- A instituição do dízimo como forma de sustentação financeira exclusiva, o que permitiu à diocese adotar um modelo de isenção de taxas cartorárias para a celebração de sacramentos como batizados e casamentos.
No plano estrutural, o primeiro bispo coordenou a criação do Centro Diocesano de Formação (CDF) e do Seminário Menor "Rainha dos Apóstolos" em 1976. Adicionalmente, Umuarama destacou-se por ser a primeira diocese brasileira a acolher oficialmente as comunidades do Caminho Neocatecumenal junto à sua catedral.
O processo de edificação da Catedral Diocesana do Divino Espírito Santo caminhou paralelamente à estruturação da diocese. A Paróquia da Catedral foi formalmente desmembrada da Paróquia São Francisco de Assis em 17 de janeiro de 1974, por decreto de Dom José Maria, abrangendo apenas a área urbana das Zonas I, VI e VII de Umuarama. Inicialmente, o templo funcionou de forma provisória em um barracão que hoje abriga o salão paroquial.
O projeto arquitetônico de linhas contemporâneas foi idealizado pelo arquiteto Dr. Kozo Kassai. A construção estendeu-se por anos, sob a liderança do Padre José Dantas de Souza (pároco durante a maior parte das obras), seguido pelo Padre José Germano Neto Júnior, pelo Monsenhor Claudir Martineli e pelo Monsenhor Galiani. A inauguração e dedicação solene da catedral ocorreram em 7 de junho de 1987, na Solenidade de Pentecostes, sob a coordenação do então pároco Padre Paulo Mariano Mendonça.
O interior do templo abriga um afresco monumental de 5,5 x 7,5 metros, concluído em 9 de dezembro de 1988 pelos pintores Pedro Perozzi e Cesários Ceperó. A pintura constitui uma releitura da famosa representação de 1847 idealizada por São Vicente Pallotti e executada por Serafim Cesaretti, retratando Maria, a Rainha dos Apóstolos, em recolhimento com os discípulos no cenáculo aguardando a descida do Espírito Santo. No final da década de 1990, a Diocese de Umuarama enfrentou um período de grave desorganização administrativa e crescentes déficits financeiros. Diante dessa conjuntura, a Santa Sé nomeou Dom Frederico Heimler, S.D.B., como Bispo Coadjutor em 1998. Ordenado em janeiro de 1999, Dom Frederico recebeu o encargo direto de intervir na gestão financeira e contábil da cúria.
Durante o seu coadjutorado, que durou pouco mais de três anos, Dom Frederico executou reformas rigorosas para sanear as finanças diocesanas. Um dos reflexos práticos dessa crise financeira e da necessidade de otimização de recursos foi a drástica reorganização territorial interna da diocese: os decanatos foram reestruturados e fundidos, reduzindo temporariamente a sua configuração a apenas três divisões administrativas. Essa centralização permitiu uma sensível redução dos custos operacionais e um controle contábil mais direto sobre as receitas paroquiais.
Uma vez reestabelecido o equilíbrio financeiro e administrativo, Dom Frederico Heimler foi transferido para a Diocese de Cruz Alta, no Rio Grande do Sul, em 2002. No mesmo ano, em 8 de maio de 2002, o Papa aceitou a renúncia de Dom José Maria Maimone por limite de idade, abrindo o período de vacância da sé de Umuarama. A administração apostólica da diocese foi temporariamente confiada a Dom Mauro Aparecido dos Santos, então bispo de Campo Mourão.
Dom Mauro consolidou a transição administrativa aplicando à sé de Umuarama diretrizes organizacionais rígidas semelhantes às adotadas em Campo Mourão, as quais incluíam a centralização obrigatória da contabilidade paroquial na cúria diocesana, a regulamentação da côngrua e do auxílio-alimentação devidos aos presbíteros, a inscrição compulsória de todos os padres no INSS e em planos privados de saúde, a criação de um Fundo de Emergência Diocesano e a proibição de filiação partidária dos presbíteros e a restrição de suas candidaturas a cargos políticos eletivos, medidas que profissionalizaram em definitivo a gestão financeira e institucional de Umuarama, preparando a diocese para receber o seu próximo bispo residencial.
Em 9 de outubro de 2002, o prelado maltês Dom Vicente Costa foi eleito o segundo bispo diocesano de Umuarama, tomando posse canônica em 13 de dezembro do mesmo ano. Sob o lema episcopal "Fazei tudo o que Ele vos disser", Dom Vicente consolidou as reformas administrativas anteriores e promoveu o avanço pastoral da diocese por cerca de sete anos, período no qual instituiu duas novas paróquias. Em dezembro de 2009, Dom Vicente foi transferido para a Diocese de Jundiaí, em São Paulo.
Centro Diocesano de Formação
O terceiro bispo diocesano, Dom João Mamede Filho, O.F.M.Conv., frade franciscano conventual, foi nomeado em 24 de novembro de 2010 e empossado em 12 de fevereiro de 2011. Seu episcopado, sob o lema "No Evangelho força de Deus", caracterizou-se pela forte tônica missionária e pela descentralização pastoral, conduzindo a diocese até as históricas festividades do seu Jubileu de Ouro em 17 de setembro de 2023.
Dom João Mamede também atuou como Administrador Apostólico da vizinha Arquidiocese de Maringá entre novembro de 2019 e agosto de 2020, durante o período de vacância daquela sede metropolitana.O amadurecimento institucional de Umuarama reflete-se com nitidez em sua evolução vocacional. Inicialmente dependente de clero missionário estrangeiro e de ordens religiosas externas, a diocese passou a gerar e exportar lideranças eclesiásticas de relevo nacional:
Dom João Aparecido Bergamasco, S.A.C, nascido na zona rural de Umuarama, ingressou na Sociedade do Apostolado Católico e foi ordenado sacerdote. Em dezembro de 2018, foi eleito Bispo de Corumbá, no Mato Grosso do Sul. Para sua ordenação episcopal, escolheu como bispo ordenante o próprio pioneiro de Umuarama, Dom José Maria Maimone, realizando a solene cerimônia na Catedral do Divino Espírito Santo.
Dom Antônio Luiz Catelan Ferreira, o primeiro sacerdote inteiramente formado no clero diocesano de Umuarama a ascender ao episcopado. Ordenado presbítero na Catedral de Umuarama em 5 de fevereiro de 1995 por Dom José Maria Maimone, Catelan foi nomeado Bispo Auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro pelo Papa Francisco em 24 de novembro de 2021. Sua ordenação episcopal realizou-se na mesma Catedral de Umuarama em 5 de fevereiro de 2022, sob a presidência do Cardeal Orani João Tempesta, coadjuvado por Dom João Mamede Filho e Dom Vicente Costa.
Superada a fase de consolidação administrativa e as restrições orçamentárias que haviam forçado a redução de seus decanatos no passado, a Diocese de Umuarama apresenta na contemporaneidade uma robusta malha paroquial. Segundo registros oficiais de seu calendário diocesano, a circunscrição eclesiástica expandiu-se de modo a estruturar-se em 9 decanatos, que coordenam as atividades de 51 paróquias ativas
O Tigrão da Baixada
A história do futebol profissional na cidade teve o seu marco inicial na quinta-feira de 25 de novembro de 1971, com a fundação do Umuarama Futebol Clube. Concebido sob o calor do ciclo de expansão demográfica e agrícola do noroeste paranaense, o clube foi estruturado com o propósito de elevar a cidade à elite do desporto estadual. A sua sede administrativa original foi estabelecida no Lote 27 da Estrada Serra dos Dourados, no centro urbano de Umuarama.
A identidade do clube apresentava o mascote oficial desenhado para a agremiação como um "índiozinho", uma homenagem às populações nativas originais da região (como os Xetá). Contudo, a força física das suas exibições e a atmosfera fervorosa criada pela torcida local consolidaram o apelido que atravessaria gerações: o "Tigrão da Baixada" ou simplesmente "Tigrão".
O palco onde se desenrolavam os combates esportivos era o Estádio Municipal Lúcio Pipino. Conhecido popularmente como o "Gigante da Baixada", o estádio era um reduto temido pelos adversários devido à proximidade e à pressão constante da torcida. Durante a década de 1970, o clube viveu o seu período áureo, competindo em dez edições consecutivas da Primeira Divisão do Campeonato Paranaense e integrando torneios de prestígio, como a Taça Norte de 1973.
O prestígio do Umuarama Futebol Clube expandiu-se rapidamente para além das fronteiras estaduais. A economia algodoeira, capitaneada por figuras como o produtor Arlindo Líbero da Silva — o influente "Arlindão" —, permitiu ao clube financiar a vinda de grandes equipes do futebol brasileiro para exibições amistosas de caráter nacional no Gigante da Baixada.
Na terça-feira de 26 de junho de 1973, o Umuarama Futebol Clube mediu forças com a lendária "Segunda Academia" da Sociedade Esportiva Palmeiras, comandada pelo técnico Oswaldo Brandão. O clube paulista alinhou a sua força máxima, incluindo os históricos meias Dudu e Ademir da Guia, além do atacante César Maluco. Diante de um estádio lotado que gerou uma renda de 50 mil cruzeiros, o Umuarama exibiu uma organização defensiva notável. O gol da vitória palmeirense foi anotado por Fedato aos 40 minutos do primeiro tempo.
Alguns meses depois, na quarta-feira de 5 de dezembro de 1973, às 21h30, o Tigrão da Baixada recebeu o Sport Club Corinthians Paulista. O esquadrão de Parque São Jorge, treinado por Dorival Knipel, o "Yustrich", entrou em campo desfalcado de duas de suas principais estrelas: o craque Rivellino (com uma lesão no braço direito) e o atacante Lance (com problemas no joelho).Mesmo assim, o Corinthians contava com craques como Zé Maria, Wladimir, Tião e Vaguinho. Foi de Vaguinho o gol que abriu o placar para os visitantes. No entanto, a consagração do Umuarama ocorreu quando o atacante Índio empatou o confronto, cravando o placar final em 1 a 1 para o delírio da plateia. O evento rendeu uma bilheteria recorde de 138 mil cruzeiros, da qual o clube paulista recebeu uma quota líquida de 62 mil cruzeiros.
O ápice do prestígio do Umuarama Futebol Clube ocorreu na quinta-feira de 18 de abril de 1974, quando o clube venceu o Clube de Regatas do Flamengo por 1 a 0. Sob arbitragem de Afonso Oliveira e com uma renda de aproximadamente 90 mil cruzeiros, o Tigrão dominou as ações do meio-campo. O gol foi assinado por Afonso Pinto aos 34 minutos do segundo tempo, selando um dos triunfos mais recordados da história do esporte regional.
O Santos Futebol Clube foi outra potência que sofreu com a mística do Gigante da Baixada. Em 1977, a equipe praiana, que contava com o veloz ponta Nilton Batata, entrou em campo confiante. Contudo, o Umuarama conquistou a vitória por 1 a 0 com gol de Moisés. A amistora rivalidade prolongou-se pelas décadas seguintes. Em 27 de janeiro de 1988, o Tigrão venceu o Santos por 2 a 0 no Lúcio Pipino. Posteriormente, em 1 de fevereiro de 1989, as equipes empataram em 1 a 1 num confronto acirrado. Naquele período, a relação entre as diretorias era tão estreita que o Santos chegou a emprestar quatro jogadores de seu elenco ao Umuarama: os atletas Amauri, Ademir, Paulo Leme e Luís Carlos Borges.
Dentre os inúmeros atletas que vestiram a camisa do clube, dois nomes destacam-se no panteão de ídolos umuaramenses: o meia Pedrinho e o centroavante Vaquinha.
Pedrinho: Maestro e articulador
Pedro Oliveira da Silva, o "Pedrinho", foi o camisa 10 e o cérebro da equipe de 1975 a 1980. Nascido em Uberaba (MG) em 9 de novembro de 1950, Pedrinho teve uma juventude marcada pelo futebol. Iniciou os seus treinamentos no Atlético Mineiro, mas, por divergências internas, acabou por transferir-se para o rival América Mineiro, o que gerou conflitos familiares com o seu pai, um atleticano fervoroso. Para evitar tais disputas domésticas, o jovem meia deixou Minas Gerais e peregrinou por clubes como Madureira, Palmeiras, Marília e Fortaleza, além de ter passagens pelo futebol de Santa Catarina, onde atuou pelo Joinville.
Em 1975, Arlindão viajou pessoalmente a Santa Catarina para contratar Pedrinho, trazendo-o para Umuarama junto com os atletas Chicão, Jota Alves e Wilsinho. No Tigrão, o impacto do meia foi imediato. O seu futebol inteligente e de passes precisos garantiu-lhe o título de melhor armador do Campeonato Paranaense.
Vaquinha: Goleador irreverente
João da Silva Pedro, conhecido nacionalmente pelo apelido de Vaquinha, foi a referência de gol do Umuarama Futebol Clube. O centroavante possuía um faro de golo apurado e uma presença física imponente na grande área. O seu auge técnico ocorreu na temporada de 1975, quando sagrou-se artilheiro absoluto do Campeonato Paranaense de Futebol.A sua brilhante trajetória incluiu passagens por outras equipes tradicionais do desporto nacional, tais como o Londrina, o Atlético Paranaense, o Pinheiros, o Uberaba e o Toledo. Vaquinha faleceu em setembro de 2020, aos 70 anos de idade, sendo lembrado pela torcida do Tigrão como o mais carismático atacante a pisar no relvado do Gigante da Baixada.
A prosperidade financeira que sustentou o Umuarama Futebol Clube começou a dar sinais de desgaste no final da década de 1970. Em 1979, o clube enfrentou uma severa crise de liquidez que resultou no atraso sistemático dos salários dos atletas. Esta instabilidade financeira forçou a equipe a disputar o Torneio do Descenso (conhecido popularmente como o "Torneio da Morte") no mesmo ano, logrando evitar a queda para a divisão inferior de forma dramática.Apesar de um último momento de brilho em 1986, quando o Umuarama Futebol Clube conquistou o vice-campeonato da Segunda Divisão Paranaense ao perder o título para o Pato Branco Esporte Clube, a agremiação acabou por encerrar as suas atividades no início da década de 1990.
A fundação do Umuarama Atlético Clube
Diante do colapso da estrutura original, lideranças políticas e empresariais uniram-se para criar um novo representante para a cidade. No sábado de 15 de agosto de 1987, foi fundado o Umuarama Atlético Clube. A nova instituição rompeu com o tradicional alviverde do seu antecessor e adotou uma combinação tricolor em azul, amarelo e branco.
A sede do clube foi fixada no próprio Estádio Municipal Lúcio Pipino, na Avenida São Pedro, no Bairro Zona III. A profissionalização formal ocorreu em 19 de novembro de 1990, impulsionada pelo suporte financeiro da Prefeitura Municipal e pelo patrocínio master da Zaeli Alimentos, importante indústria de gêneros alimentícios sediada na região.
Sob a nova administração e com o aporte financeiro da Zaeli, o clube montou uma comissão técnica qualificada e contratou um elenco inteiro para disputar a Divisão Intermediária em 1991. O investimento deu frutos imediatos, garantindo o acesso do tricolor à elite do futebol paranaense. Durante as temporadas de 1991, 1992 e 1993, o Umuarama Atlético Clube defendeu o nome da cidade contra as principais potências do estado.
Fim do futebol profissional
O ano de 1993 foi marcado por momentos de grande emoção e extrema oscilação técnica para o tricolor umuaramense. A equipe conquistou triunfos notáveis sob o comando de sua torcida, goleando o tradicional Matsubara por 3 a 0 e superando o Londrina pelo placar de 2 a 0.
No entanto, o confronto contra o Paraná Clube evidenciou as dificuldades estruturais do elenco. O Umuarama foi goleado por 5 a 0 pela equipe da capital, num jogo marcado por um lance bizarro: o zagueiro Gralak, do Paraná Clube, surpreendeu a todos ao anotar um gol diretamente a partir de uma cobrança de lateral de longa distância, superando o goleiro Tide.
Devido aos elevados custos de manutenção logística na primeira divisão, o clube passou a mandar alguns de seus compromissos no Estádio Municipal de Tapira, conhecido como "Pardalzão", na tentativa de diversificar o seu público e angariar novas receitas. Contudo, a asfixia financeira acabou por inviabilizar o projeto do futebol profissional na cidade a partir de meados de 1993, forçando o licenciamento definitivo da equipe junto à Federação Paranaense de Futebol (FPF).
ACIU - Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Umuarama
A Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Umuarama (ACIU) constitui uma das mais sólidas e influentes forças associativas do Estado do Paraná. Fundada na década de 1960, a entidade firmou-se como um agente essencial na articulação entre a iniciativa privada e o poder público, assumindo o papel histórico de defensora das classes produtivas da região Noroeste do estado. Com um quadro de associados que se aproxima de 1.500 filiados, abrangendo micro, pequenas, médias e grandes empresas de múltiplos setores, a instituição é amplamente reconhecida na comunidade pelo epíteto de "Casa do Empresário".
O amadurecimento institucional da ACIU reflete a evolução socioeconômica de Umuarama. Ao longo de suas seis décadas de atuação, a associação expandiu a sua carta de serviços e as suas frentes de representação de forma síncrona com os ciclos de industrialização, a diversificação do comércio varejista e as transformações da agropecuária. Pautada por preceitos de governança apartidária e sem fins lucrativos, a entidade canaliza as suas receitas — provenientes de contribuições associativas, convênios e prestação de serviços técnicos — diretamente para o fomento de soluções corporativas e para a defesa de investimentos em infraestrutura logística na região.
A criação da ACIU está intimamente vinculada ao início do desenvolvimento urbano e à independência político-administrativa de Umuarama na transição para a década de 1960. Naquele período, a economia regional expandia-se em ritmo acelerado sob o impulso da cafeicultura. Os cafezais multiplicavam-se rapidamente, atraindo imigrantes e investimentos de grandes metrópoles nacionais, sobretudo de São Paulo, o que impulsionou o comércio local a concentrar-se ao longo da Avenida Paraná.
Todavia, o progresso econômico inicial convivia com severas limitações de infraestrutura. A região central de Umuarama carecia de pavimentação asfáltica, expondo os comerciantes pioneiros a um cenário extremo de lamaçal nos períodos chuvosos e de poeira intensa durante o verão. Foi a chegada de grandes redes comerciais varejistas de tecidos e confecções, com destaque para a instalação pioneira da primeira grande filial das Casas Pernambucanas na Praça Arthur Thomas, que evidenciou a necessidade urgente de organizar as forças empresariais locais para pleitear melhorias urbanas fundamentais.
Em resposta a essas demandas estruturais, no dia 22 de setembro de 1964, uma terça-feira de clima ameno, um grupo de quatorze empresários pioneiros reuniu-se com o objetivo de institucionalizar o associativismo na cidade. Sob a liderança provisória de Amyr Bussmann, que assumiu a presidência de forma interina, e com a posterior eleição direta de Luiz Catarin, foi formalizada a fundação da então Associação Comercial e Industrial de Umuarama. Um mês após a fundação, em 22 de outubro de 1964, registrou-se o primeiro estatuto social da entidade, cujo escopo original priorizava o fortalecimento técnico e a defesa jurídica dos comerciantes, industriais e prestadores de serviços.
A reunião de fundação contou com uma diretoria inicial liderada por Amyr Bussmann, que assumiu o papel de Presidente Interino para conduzir os primeiros trabalhos da entidade. Na sequência, Luiz Catarin foi escolhido para o cargo de Primeiro Presidente Eleito. Além da liderança executiva, o grupo de membros fundadores foi composto por pioneiros que ajudaram a moldar o desenvolvimento econômico do município. Entre os assinantes da ata de fundação e integrantes estiveram Luiz Carlos Miranda, João Pereira de Almeida, Luiz Carlos Stefani, Napoleão de Alencar Filho, Massayuki Okumura, Nicanor dos Santos Silva, Santo Guerrer, Artur Fernandes, Kami Mitusi, Armando Luiz Bretas, Braz Pereira de Marins e Gilberto Lopes.
O dinamismo inicial propiciado pela cultura do café sofreu uma brusca ruptura no decorrer da década de 1970. O processo de erradicação das lavouras de café no Paraná culminou com a histórica "Geada Negra" em 21 de julho de 1975, evento climático severo que dizimou a cafeicultura no estado. Esse desastre econômico provocou um êxodo rural maciço de cerca de 2,6 milhões de paranaenses, forçando famílias que antes residiam no campo a migrarem para as áreas urbanas em busca de moradia, educação e empregos no comércio e na indústria.
Alexandre Ceranto, enquanto presidente, na inauguração do prédio
Essa mudança no perfil demográfico e produtivo exigiu uma rápida readequação da ACIU. A associação, que até então operava focada na dinâmica comercial impulsionada pela riqueza agrícola do café, precisou expandir a sua atuação para apoiar a transição em direção a uma economia urbana mais complexa. O comércio de bens duráveis, a prestação de serviços de apoio social e a consolidação de polos industriais, como o moveleiro e o alimentício, tornaram-se as novas prioridades da entidade.
Foi nesse contexto de reorganização setorial que a associação reformulou o seu estatuto para incorporar formalmente a representação das atividades agrícolas, alterando o seu nome para Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Umuarama. Mais tarde, durante as administrações presidenciais contemporâneas, a criação de câmaras setoriais específicas para a Indústria e para a Agricultura consolidou essa visão de integração de cadeias produtivas.
A trajetória político-administrativa da ACIU é caracterizada por uma sucessão democrática de diretorias que representam os diferentes momentos de transição econômica da região. De gestões marcadas pela superação de crises inflacionárias nacionais a administrações voltadas à digitalização de processos, a governança da associação destaca-se pela preservação da memória institucional e pela valorização da participação feminina e jovem nos espaços de decisão.
Cronologia histórica de presidentes e gestões (1964–2028)
- Amyr Bussman — 1964/1965
- Luiz Catarin — 1965/1967
- Renato Antonio Fontana — 1967/1969
- Joaquim Bastos — 1969/1976
- Lisbino Cândido de Oliveira — 1976/1979
- José Possenti — 1979/1981
- Guido Laino — 1981/1983
- Alexandre Ceranto — 1983/1988
- Gilberto Lopes — 1988/1990
- Arecídio Cassiano Júnior — 1990/1994
- Paulo Castelani — 1994/1996
- Irene Dias Cardoso — 1996/1998
- Floresval Vivian — 1998/2000
- Nelio Nivaldo Guazzelli — 2000/2002
- Carlos Alberto Pimentel Gonçalves — 2002/2004
- Carlos Roberto Bonadio — 2004/2006
- José Celso Zolim — 2006/2008
- Elza Alves Botelho — 2008/2010
- José Celso Zolim — 2010/2016
- Orlando Luiz Santos — 2016/2022
- Miguel Fuentes Romero Neto — 2022/2025
- Carla Regina Moreira Frasquette Antunes — 2025/2028

Um marco fundamental na consolidação da liderança feminina no comércio local ocorreu na gestão de Irene Dias Cardoso (1996–1998), a primeira mulher a presidir a ACIU. Seguindo a tradição familiar empreendedora iniciada por seu pai, Irene consolidou-se à frente de um dos estabelecimentos comerciais masculinos mais tradicionais da cidade, gerido atualmente em parceria com o seu filho, Rodrigo Cardoso. Em 15 de março de 2025, a empresária foi homenageada em Foz do Iguaçu com o prêmio "Mulher Empreendedora" da Fecomércio-PR, em reconhecimento à sua liderança inovadora e de forte apelo associativo.
Atualmente, a gestão da associação é feita por uma delas: Carla Frasquette.
A descentralização das atividades da ACIU realiza-se por meio de conselhos de fomento e núcleos de cooperação setorial, cuja função principal consiste em agrupar os empresários por afinidades profissionais e nichos específicos de mercado.
Conselho da Mulher Empresária e Executiva (Aciu Mulher)
Criado formalmente em 1992 por iniciativa de um grupo de empreendedoras pioneiras de Umuarama, o conselho tem como lema a frase motivacional: "Quer paz na sua vida? Lute pela paz na sua cidade". Atuando como um polo catalisador de liderança feminina e representação econômica, o conselho promove de forma continuada palestras de capacitação técnica, reuniões mensais de alinhamento estratégico e ações culturais.
Entre as suas iniciativas emblemáticas destaca-se o projeto inovador de empreendedorismo feminino "Ela Pode Mais", que atua de forma intersetorial com rodadas de networking e debates dinâmicos. O projeto realizou eventos expressivos de liderança nacional com a mentoria da palestrante Danni Suzuki, e desdobrou-se em frentes estratégicas especializadas, como o encontro "Ela Pode Mais no Agro", em 27 de abril de 2026, com foco na capacitação de mulheres no campo.
Sob a gestão presidencial de Gisenia Ferrarin Davanso e uma equipe de diretoras executivas especializadas, o conselho promove o desenvolvimento econômico e fomenta ações de apoio humanitário, a exemplo da campanha regional "Reconstrua Rio Bonito do Iguaçu".
Conselho do Jovem Empresário (Conjove)
Focado na identificação, formação e qualificação de novas lideranças corporativas na região, o Conjove fomenta a integração de jovens gestores e sucessores de empresas locais por meio de um processo seletivo anual estruturado de admissão. O conselho promove reuniões semanais dedicadas à capacitação em tópicos como imagem pessoal, posicionamento empresarial e finanças.
Sua maior iniciativa de fomento corporativo regional é o encontro de negócios "Conecta Mais", premiado pela Faciap Jovem. A quarta edição do evento, realizada em 2026 sob a liderança de Giselly Auzier da Silva, reuniu mais de 350 líderes de negócios e profissionais liberais no Centro de Eventos de Umuarama para assistir ao talk show e palestra sobre "Gestão de Tempo 4.0", proferida pelo especialista nacional em produtividade Rafael Medeiros.
Núcleos setoriais
A metodologia dos núcleos setoriais da ACIU estimula a cooperação mútua entre empresas concorrentes do mesmo ramo de atividade, superando o antigo conceito de rivalidade comercial para incentivar parcerias inteligentes em prol do crescimento coletivo. Entre os núcleos consolidados destacam-se o Núcleo Multissetorial de E-commerce, o Núcleo Setorial de Marketing e o Núcleo Setorial de Construtores. Alinhada a essa política de expansão de parcerias coletivas, a ACIU iniciou, em abril de 2026, as assembleias preparatórias para a fundação oficial de um novo braço setorial, o Núcleo do Comércio de Umuarama.
Campanhas promocionais e de fomento ao varejo
As tradicionais liquidações organizadas pela ACIU desempenham papel relevante na atração de consumidores regionais e no giro do estoque de mercadorias paradas. O "Mega Outlet Umuarama", liderado de maneira conjunta com o braço executivo Aciu Mulher, reúne expositores de variados nichos de varejo e serviços para ofertar produtos de qualidade com descontos de até 70% aos consumidores.
Outro pilar de estímulo ao varejo local reside nas campanhas temáticas promovidas em grandes datas comemorativas, com ênfase nas comemorações do Dia das Mães, Dia dos Namorados e nas campanhas de final de ano. A tradicional campanha "Natal de Luz" mobiliza anualmente centenas de estabelecimentos comerciais de Umuarama e de municípios vizinhos. Desenvolvida em parceria de longa data com a cooperativa de crédito Sicoob Arenito, a campanha visa aquecer toda a cadeia do comércio e da indústria local.
Em 2025, a campanha Natal de Luz envolveu a distribuição de 1.100 prêmios, totalizando mais de R$ 350.000 em vantagens. Entre os prêmios sorteados figuravam 10 motocicletas (incluindo modelos Honda Biz, Yamaha Neo e Yamaha Fluo), 5 patinetes elétricos e centenas de "seladinhas" que continham prêmios instantâneos sob a forma de vales-compras de R$ 100, R$ 200, R$ 250 e R$ 500. A campanha também bonificou com vales-compras de R$ 500 os vendedores que preencheram as cédulas dos cupons contemplados com as motos.
A associação mantém diálogo regular com o poder público municipal para otimizar os fluxos de compras governamentais. Durante audiências com o prefeito de Umuarama, os cronogramas de licitações públicas municipais são compartilhados com a mesa diretora da ACIU. O objetivo central do acordo consiste em mobilizar a entidade para capacitar e incentivar as micro e pequenas empresas locais a disputarem lotes de licitações municipais, fortalecendo a economia umuaramense.
Uopeccan de Umuarama
Criada originalmente em 12 de junho de 1991 no município de Cascavel, a União Oeste Paranaense de Estudos e Combate ao Câncer (Uopeccan), uma das instituições filantrópicas mais respeitadas da América do Sul no campo da oncologia e dos procedimentos médicos de alta complexidade, nasceu a partir do trabalho voluntário de membros do Rotary International e do suporte das Irmãs Franciscanas Angelinas, que estabeleceram uma casa de apoio para acolher pacientes oncológicos de toda a região.
Com o avanço das capacidades clínicas da unidade-sede, evidenciou-se um grave gargalo social e logístico: pacientes acometidos por neoplasias residentes na Região Noroeste do Paraná eram forçados a enfrentar longas e exaustivas viagens rodoviárias até Cascavel para receber diagnóstico, sessões de quimioterapia, radioterapia e suporte cirúrgico.Para mitigar o impacto desse deslocamento sistemático e proporcionar um atendimento mais humanizado, seguro e confortável aos pacientes do Noroeste, iniciou-se um movimento de descentralização assistencial. Em 2008, a Uopeccan de Cascavel deu o primeiro passo prático em direção à interiorização ao estabelecer um serviço de atendimento ambulatorial em Umuarama.
A expressiva demanda identificada nesse ambulatório inicial impulsionou as forças vivas locais a planejar a construção de um complexo hospitalar de grande porte na Capital da Amizade. As discussões formais começaram no âmbito do Rotary Club local, onde lideranças comunitárias diagnosticaram a urgência de uma estrutura hospitalar fixa voltada ao tratamento de neoplasias. Em 15 de janeiro de 2010, a história do Hospital do Câncer de Umuarama foi oficialmente iniciada com a formalização das tratativas técnicas e políticas.
A diretoria do complexo, representada por Ciro Antonio Kreuz, presidente do conselho superior , juntamente com Wanderley Rosa, diretor da unidade de Umuarama , e Leopoldo Furlan, que presidiu a instituição durante a fase inicial do projeto , apresentou o plano diretor à sociedade civil, ao empresariado e à classe política regional. A rápida adesão da comunidade e dos representantes governamentais viabilizou o início das obras físicas, amparado por uma rede de financiamento mista composta por recursos públicos estaduais e federais, além de expressivas doações civis obtidas por leilões beneficentes, bazares e centrais de telemarketing.
A execução do projeto arquitetônico do Hospital do Câncer Uopeccan de Umuarama estendeu-se por um período de cinco anos de intensas tratativas e edificação física, tornando-se uma das maiores obras arquitetônicas de saúde do estado do Paraná. Saúde. A estrutura foi erguida sobre um terreno doado de 10.000m² , resultando em uma área construída total de 18.183,37m² planejada especificamente para fluxos otimizados de alta complexidade. A inauguração solene ocorreu em 4 de março de 2016, alterando substancialmente a rede de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS), de convênios e de serviços particulares da macrorregião.
O centro cirúrgico destaca-se por possuir nove salas totalmente equipadas que viabilizam procedimentos operatórios de qualquer complexidade. Atualmente, o parque tecnológico permite a realização de até cinco cirurgias por vídeo simultaneamente com o suporte de monitores de alta definição e pinças cirúrgicas avançadas, reduzindo o tempo de internação e o risco de infecções pós-operatórias.
Além do centro cirúrgico, o hospital conta com um parque de diagnóstico por imagem de última geração, que inclui aparelhos de ultrassonografia, raio X digital, mamografia e tomografia computadorizada. Em anos recentes, a estrutura diagnóstica foi expandida com o lançamento oficial de um novo equipamento de Ressonância Magnética na unidade de Umuarama, qualificando o rastreamento tumoral e o planejamento cirúrgico de neoplasias complexas.
Para apoiar os pacientes de fora do domicílio, a Uopeccan mantém em Umuarama a Casa de Apoio (Vita Vitória), uma extensão física de acolhimento social que disponibiliza 60 leitos. A casa fornece alojamento, banho e cinco refeições diárias gratuitas para pacientes e acompanhantes de baixa renda. Sob a égide da humanização hospitalar, o espaço dispõe de biblioteca, sala de televisão, jardins integrados e salão de convivência, promovendo recreações como jogos de cartas e bingos beneficentes para reduzir a carga psicológica do tratamento oncológico.
Uma das grandes distinções estratégicas da unidade de Umuarama em relação à unidade-sede de Cascavel reside em seu modelo operacional. Enquanto Cascavel foi concebida essencialmente como um cancer center especializado em oncologia pura, a unidade de Umuarama opera em modelo híbrido, atuando simultaneamente como hospital oncológico de alta complexidade e hospital geral para diversas especialidades médicas. Esta decisão técnica fundamenta-se na necessidade de otimizar a retaguarda de leitos e procedimentos na Região Noroeste, além de permitir o manejo integrado de pacientes que necessitam de intervenções multidisciplinares.
Desde a abertura das portas, em março de 2016, o volume de consultas, quimioterapias, exames de rastreamento de mama e cirurgias de alta complexidade apresentou crescimento exponencial.No primeiro ano de funcionamento, concluído em março de 2017, a Associação dos Municípios de Entre-Rios (Amerios) registrou que o hospital havia assistido mais de 20 mil pessoas de sua região imediata de abrangência.
Esse crescimento continuou de forma consistente até o final do ano de 2019, quando o hospital acumulou marcas operacionais de grande impacto social e, consequentemente, foi eleito pela organização correspondente como uma das 100 melhores Organizações Não Governamentais (ONGs) do Brasil.
Em 4 de março de 2026, a Uopeccan de Umuarama celebrou dez anos de pleno funcionamento em uma grande solenidade que mobilizou o Noroeste do estado. Ao longo de uma década, a unidade consolidou-se como referência incontestável em atendimento humanizado de média e alta complexidade, expandindo sua infraestrutura física e seu parque de diagnósticos. Com uma atuação alicerçada na dedicação pela vida e na busca contínua por tecnologias diagnósticas e terapêuticas de ponta, o complexo hospitalar de Umuarama assegura que a população da Região Noroeste tenha acesso ao que há de mais moderno na medicina contemporânea, preservando os princípios de gratuidade, dignidade e humanização que motivaram a sua fundação.
Sicoob Arenito
A geologia do Noroeste paranaense assente sobre a vasta formação do Arenito Caiuá, que moldou de forma decisiva a história econômica e social da região e, em particular, de Umuarama. Com solos arenosos caracterizados por uma elevada sensibilidade erosiva e de drenagem acentuada, a exploração agrícola tradicional deparou-se com severas limitações. Esta realidade exigiu investimentos contínuos em tecnologia, rotação de culturas e diversificação produtiva, com especial incidência na fruticultura — como o cultivo do abacaxi —, na avicultura e na pecuária integrada.
No entanto, o progresso de Umuarama como a Capital da Amizade e polo regional de serviços gerou uma procura crescente por recursos financeiros que as instituições bancárias tradicionais nem sempre conseguiam suprir de forma justa. Nos moldes do sistema financeiro convencional, a poupança gerada localmente era frequentemente canalizada para os centros de decisão das grandes metrópoles, privando a comunidade regional do reinvestimento necessário.
Esta lacuna territorial impulsionou a procura de um modelo alternativo baseado no cooperativismo de crédito, onde as pessoas e as empresas assumem simultaneamente o papel de associados e donos da instituição financeira. A síntese entre os desafios do solo regional e o dinamismo do comércio de Umuarama inspirou a denominação e a essência do Sicoob Arenito, cuja trajetória foi imortalizada na obra literária Do arenito à selva de pedra: a história do cooperativismo de crédito que ajudou a mudar Umuarama e região.
No início dos anos 2000, as micro e pequenas empresas locais enfrentavam elevadas barreiras no acesso a linhas de capital de giro e investimento a custos razoáveis. Diante desse cenário de estrangulamento financeiro, a Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Umuarama (ACIU) assumiu o papel de agente catalisador. Ao longo de mais de um ano, a diretoria da ACIU promoveu encontros, reuniões de sensibilização, palestras e estruturou integralmente o projeto de constituição de uma nova cooperativa de crédito. Este esforço conjunto culminou, a 16 de julho de 2004, na assembleia geral de fundação da instituição, originalmente denominada "Cooperativa de Crédito dos Empresários de Umuarama – Sicoob Arenito".
A instituição foi oficialmente constituída por um grupo de 23 sócios fundadores, subscrevendo um capital social inicial nominal de 11.500 reais, embora os registos de integralização histórica apontem para a mobilização de até R$ 230.000 em recursos iniciais ao longo do seu processo de estruturação. Logo após a primeira assembleia, a base de membros cresceu para 35 associados.
A primeira agência física da cooperativa abriu as portas em Umuarama no dia 20 de novembro de 2004, tendo operado durante os seus primeiros 18 meses de existência no interior do próprio edifício sede da ACIU. Posteriormente, a operação expandiu-se e migrou para as suas primeiras instalações comerciais próprias na Avenida Brasil, consolidando a sua imagem de proximidade com o comércio de rua:
Durante o primeiro setênio de atividade, compreendido entre 2004 e 2011, o Sicoob Arenito operou sob um regime estatutário fechado, prestando serviços exclusivamente ao segmento corporativo, comercial e industrial da cidade. Esta fase de foco exclusivo no segmento empresarial foi essencial para mitigar riscos de crédito, implementar processos de auditoria interna e assegurar a solidez patrimonial da instituição perante as autoridades reguladoras.
A verdadeira democratização do crédito ocorreu em 2011. Após obter a necessária homologação por parte do Banco Central do Brasil, a cooperativa alterou o seu estatuto social para adotar o regime de livre admissão de associados. Este passo de grande relevância estratégica abriu as portas da cooperativa a pessoas singulares de todas as esferas sociais, incluindo trabalhadores assalariados, funcionários públicos, profissionais liberais e produtores rurais. A livre admissão funcionou como o principal motor de expansão física, permitindo ao Sicoob Arenito inaugurar agências em dezenas de municípios do interior paranaense que partilhavam da mesma realidade económica e produtiva da matriz.
Com o mercado do Noroeste do Paraná amplamente consolidado, a liderança da cooperativa identificou a necessidade de diversificar a sua carteira de depósitos e aceder a grandes centros com elevada liquidez financeira. Em 21 de agosto de 2019, em Assembleia Geral Extraordinária (AGE), os delegados do Sicoob Arenito aprovaram uma alteração estatutária crucial, autorizando a expansão do raio de atuação territorial para o Estado de São Paulo. Atualmente, o Sicoob Arenito possui uma forte rede interestadual de atendimento físico e digital. Para além do atendimento remoto, a distribuição geográfica dos seus pontos de atendimento reflete um equilíbrio entre as origens agrícolas do Paraná e os eixos urbanos de São Paulo.
Para além da vertente puramente financeira, o Sicoob Arenito atua como um agente ativo de transformação social em Umuarama, canalizando parte dos seus recursos para programas de educação, sustentabilidade e fortalecimento comunitário através da sua Unidade de Desenvolvimento Cooperativo (UDC).
A UDC do Sicoob Arenito, sob a coordenação técnica de Allana Basso, orienta a sua atuação com base nos critérios ESG e no sétimo princípio cooperativista — o Interesse pela Comunidade. Em 2023, a cooperativa realizou 382 ações comunitárias, impactando diretamente 20.762 pessoas. Entre os principais projetos de intervenção comunitária destacam-se:
A Campanha "Fica Leão", onde Sicoob Arenito cede anualmente o seu auditório sede para o lançamento e promoção da campanha "Fica Leão". Esta iniciativa mobiliza os empresários e cidadãos locais a destinarem até 2% do seu imposto de renda devido diretamente aos Fundos Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente e do Idoso de Umuarama, assegurando que o dinheiro dos impostos permaneça na cidade para apoiar projetos sociais locais.
O Comitê Mulher, coordenado pela conselheira de administração Leila Cristina Gonzaga Florian, o comitê fomenta a equidade de género e a participação feminina na liderança do cooperativismo através de debates, talk shows de educação financeira, saúde e desenvolvimento profissional.
A parceria com a Casa da Paz, em que cooperativa apoia ativamente a Casa da Paz, uma entidade filantrópica de Umuarama dedicada ao desenvolvimento de crianças em situação de vulnerabilidade. Em 2026, a instituição comemorou os seus 25 anos de atividade com a inauguração da ampliação da sua sede física, contando com o aporte de recursos e suporte estrutural do Sicoob Arenito.
O Concurso Cultural do Instituto Sicoob, realizado anualmente nas escolas públicas e privadas de ensino fundamental, este programa incentiva a cooperação como ferramenta pedagógica para o desenvolvimento de competências socioemocionais e a produção textual das crianças.
O Programa "Cooperativa Mirim", desenvolvido em escolas parceiras da região (como a iniciativa pioneira constituída em Tapira Campo Sales), este programa orienta crianças e adolescentes a gerirem as suas próprias cooperativas simuladas, fomentando a autogestão, liderança e competências financeiras desde tenra idade.
Fomento à avicultura integrada
Em 2026, o Sicoob Arenito e a empresa Levo Alimentos firmaram uma das maiores parcerias financeiras da história económica de Umuarama. Trata-se de um contrato estrutural no valor imediato de 100 milhões de reais destinado a expandir de forma robusta a cadeia produtiva da avicultura no Noroeste do Paraná.
O acordo estratégico prevê ainda a injeção de mais de 330 milhões de reais adicionais a longo prazo para o financiamento direto da construção de novos aviários, bem como a modernização tecnológica dos sistemas de criação integrada dos produtores locais. Este investimento massivo consolida a cooperativa como a principal parceira de fomento do agronegócio regional, estimulando a retenção de jovens no campo, a geração de empregos industriais e a competitividade do polo avícola de Umuarama.
Com uma estrutura patrimonial que supera 1,2 milhar de milhão de reais em ativos totais e uma base de cooperados em forte expansão, a cooperativa inicia o ciclo de gestão de 2026/2029 focada na inovação tecnológica contínua, na segurança cibernética dos canais digitais de atendimento e no aprofundamento do seu impacto social local, confirmando a premissa de que a cooperação financeira constitui o principal pilar de prosperidade para Umuarama e região.
Da construção à moradia, os motores ecônomicos de Umuarama
A Capital da Amizade desenvolveu-se a partir de ciclos ecônomicos bem definidos. O impulso inicial decorreu da expansão da agricultura pioneira, sendo posteriormente sucedido por um ciclo focado na pecuária extensiva. Após um período de relativa estagnação na dinâmica imobiliária urbana, Umuarama progressivamente caminhou para se tornar uma macrorregião centralizadora de recursos e serviços especializados.
Neste contexto de transição para uma economia de serviços de cariz regional, o mercado imobiliário e a construção civil converteram-se nos principais canais de absorção e multiplicação de capital. O excedente financeiro derivado do agronegócio regional encontra-se frequentemente canalizado para a aquisição de lotes urbanos e para o desenvolvimento de edifícios verticais de alto padrão. Sob o ponto de vista estatístico, Umuarama destaca-se pela elevada regularidade das suas transações imobiliárias ao longo do ano, registando o melhor desempenho absoluto na região.
O índice de maturidade populacional do município revela uma proporção de 1,42 adultos sêniores (na faixa etária dos 40 aos 64 anos) para cada adulto jovem (dos 25 aos 39 anos), um valor substancialmente superior à média registada no Estado do Paraná. Esta particularidade indica no município uma forte concentração de consumidores de elevado poder de compra, orientados para a aquisição de ativos imobiliários de maior valor unitário, financiamentos de longo prazo, consórcios e remodelações estruturais.
Porém, há uma longa história pregressa.
A evolução arquitetónica e urbanística da cidade de Umuarama deve-se, em grande medida, à iniciativa privada de firmas imobiliárias que moldaram a distribuição espacial das zonas residenciais, comerciais e industriais. Fundada no ano de 1987 com a premissa de solucionar o défice habitacional gerado pelo acelerado fluxo migratório em direção à área urbana, a Morena Imobiliária e Construtora converteu-se numa das mais sólidas organizações do sector imobiliário do interior paranaense. O modelo de negócio da empresa assenta na integração vertical de processos, atuando desde a prospeção e aquisição de glebas brutas até ao desenvolvimento construtivo e à administração de carteiras de arrendamento. Ao longo de quase quatro décadas de atividade, a construtora acumula mais de 500.000 m² de projetos residenciais e comerciais executados, responsabilizando-se pela entrega de mais de 2.000 unidades de apartamentos e pela urbanização e loteamento de mais de 3.500 terrenos residenciais na região.
No âmbito do desenvolvimento urbano, a Morena assina empreendimentos emblemáticos de expansão horizontal e vertical, tais como o Parque Residencial Interlagos e o Edifício Vivare, caracterizados por elevados índices de valorização de mercado. Adaptando-se às exigências contemporâneas de mobilidade e investimento líquido, a construtora introduziu no mercado local o projeto Top Life New Concept, um empreendimento pioneiro focado na modalidade de locação por temporada de estúdios compactos de infraestrutura partilhada.
Projeto do Edifício Vivare
A Imobiliária Dimensão representa um dos mais expressivos eixos de expansão horizontal e desenvolvimento imobiliário de Umuarama. Liderada pelo empresário Dogival Corrêa, cuja chegada ao município remonta à década de 1960 — período em que a localidade carecia de redes públicas estruturadas de esgotos e águas residuais —, a empresa testemunhou a transição do núcleo urbano incipiente para o dinâmico polo económico contemporâneo. Em 2003, a organização passou por uma reestruturação estratégica com a entrada de José Antônio Favarão na qualidade de sócio-proprietário, culminando na criação da Loteadora Corrêa & Favarão.
A ligação corporativa entre a Imobiliária Dimensão e a Loteadora Corrêa & Favarão resultou na estruturação de mais de 90 loteamentos urbanos planeados em 22 municípios paranaenses e noutras regiões do país, gerindo uma força de trabalho superior a 40 colaboradores diretos. Apenas na malha urbana de Umuarama, a empresa foi responsável pelo lançamento de mais de 5.000 lotes residenciais e comerciais, promovendo a desconcentração urbana ordenada e a regularização fundiária. Face à relevância dos serviços prestados ao desenvolvimento municipal, Dogival Corrêa e José Antônio Favarão foram distinguidos com o título de Cidadania Honorária de Umuarama em 2026.
Com mais de trinta anos de atuação contínua na região noroeste do Paraná, a Imobiliária Triângulo consolidou uma presença abrangente na intermediação de ativos imobiliários residenciais, comerciais e de propriedades rurais de grande extensão. O diferencial competitivo da imobiliária reside no seu credenciamento oficial como correspondente da Caixa Econômica Federal. A condição possibilita à instituição viabilizar processos contratuais de financiamento habitacional, consórcios imobiliários e de frotas, além de linhas de crédito consignado, agilizando as operações diretamente na sua agência. Sob a coordenação técnica de corretores de referência, tais como Radames (CRECI-PR), a Triângulo centraliza transações comerciais em empreendimentos expressivos de expansão central e periférica
Criada em 4 de fevereiro de 2005 com a finalidade de elevar os padrões estéticos e estruturais da engenharia civil local, a Construtora Novo Teto direcionou os seus investimentos para o mercado residencial vertical de alto e altíssimo padrão. A construtora iniciou a sua trajetória com o edifício Alphaville Atrium, considerado um marco estético na região central da cidade. Posteriormente, a Novo Teto adensou zonas nobres através do lançamento de projetos de destaque, como o Residencial Pedra Negra, o Residencial Ipê, o Santorini (com apartamentos de 92,50 m² e átrio de entrada executado em granito nobre) e o Torre Sul Residence.
Os lançamentos recentes e futuros da construtora estão entre os principais empreendimentos de Umuarama. Destaca-se o Zahara Club Residence, planeado para proporcionar uma perspetiva visual de 360 graus sobre a cidade e uma vista franca para o bosque Uirapuru, incluindo apartamentos no conceito garden com amplos terraços privativos. No topo do portfólio da marca situa-se o Onix Tower Residence, localizado na Rua Cambé, na Zona I. Trata-se de um empreendimento de luxo vertical que disponibiliza apartamentos do tipo padrão com áreas que oscilam entre os 309 m² e 363 m², além de coberturas duplex com áreas privativas de 507 m² a 590 m², dispondo de garagens múltiplas, sistemas avançados de segurança ativa, captação de águas pluviais para reutilização e painéis solares para autogeração de energia fotovoltaica.
Outro projeto de destaque na Capital da Amizade é o Infinity Home Club, da Destro Construtora, que traz para a cidade o inovador conceito de moradia em um clube residencial, integrando 14 ambientes de lazer, privacidade total, infraestrutura digna de resort e acabamentos de altíssimo padrão. A previsão de entrega é para dezembro de 2026.
A organização do mercado de mediação imobiliária em Umuarama conheceu uma grande transformação em agosto de 1991, data da fundação da Associação das Empresas do Ramo Imobiliário de Umuarama – Sistema Venda Rápida. Num período caracterizado pela volatilidade inflacionária nacional e pela ausência de canais integrados de comercialização, doze empresas pioneiras do sector imobiliário uniram-se com o propósito de constituir uma plataforma partilhada de ofertas. As doze empresas fundadoras originais foram: Aliança, Dimensão, Fenícia, Françolin, Garcia Imóveis, Ilha Bela, Joel Imóveis, Morena, Nilson Ribeiro, Nishi, Pólo e Triângulo. Entre estas associadas pioneiras, destaca-se a dupla vertente operacional de empresas como a Morena e a Fenícia, que atuavam simultaneamente como promotoras imobiliárias e construtoras.
O surgimento do Sistema Venda Rápida baseou-se na introdução do conceito de comissionamento partilhado e na unificação de carteiras de imóveis, facultando aos consumidores finais um inventário centralizado através de qualquer uma das agências associadas. Esta estratégia reduziu drasticamente a concorrência predatória entre os profissionais locais, disciplinou a profissão de corretor de imóveis e fortaleceu a segurança jurídica das transações na região. Ao longo dos seus mais de trinta anos de percurso institucional, a associação tem desempenhado um papel relevante na esfera política e de ordenamento do território municipal.
A liderança corporativa do Sistema Venda Rápida é marcada pela alternância de gestores de relevo no panorama empresarial de Umuarama. Profissionais associados, tais como Nilson Donizete Ribeiro e Dogival Corrêa, acumularam funções de representação institucional como conselheiros e delegados junto ao Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Paraná (CRECI-PR), elevando o protagonismo do mercado de Umuarama a nível estadual.
Expansão urbana
O crescimento do perímetro urbano de Umuarama é o reflexo direto de processos de expansão planeada e de subsequente verticalização habitacional provocada pela valorização do solo. Originalmente, o plano urbanístico implementado pela Companhia Melhoramentos Norte do Paraná na década de 1950 previa a divisão de lotes agrícolas de dimensão uniforme (10 a 15 alqueires) e uma rede ortogonal de arruamentos centrais estendida a partir do chafariz central. Os pioneiros, vindos em grande parte sem núcleos familiares consolidados, defrontaram-se com um território coberto por mata virgem, iniciando uma rápida derrubada florestal para a consolidação dos primeiros loteamentos urbanos.
A necessidade de otimização dos espaços nas zonas de maior centralidade comercial, aliada à consolidação do município como polo universitário e de saúde, desencadeou a verticalização do setor residencial. O ponto de viragem histórico neste processo foi o lançamento do Edifício Flamboyant, concebido como a primeiríssima edificação residencial multifamiliar vertical da história de Umuarama. O projeto foi considerado um sucesso no panorama da construção civil regional, registando a comercialização integral de todas as suas unidades autônomas em escassos 20 dias. A rápida aceitação do mercado demonstrou que as classes de maior rendimento econômico valorizavam a centralidade geográfica e a tipologia vertical, impulsionando outras construtoras a investirem no setor.
Dentre os principais condomínios residenciais horizontais que alteraram a morfologia urbana periférica de Umuarama, estão:
- Condomínio Royal Garden: considerado uma das áreas habitacionais mais exclusivas da cidade, destaca-se pelas habitações unifamiliares de grande porte, integrando elevadores internos, sistemas de energia sustentável e amplos jardins.
- Euro Park Residence: implantado para atender ao segmento premium, caracteriza-se por terrenos de metragens generosas e pela integração harmoniosa com paisagismo projetado e portaria de controlo de acessos.
- Paysage Essenza e Paysage Unique: empreendimentos horizontais estruturados para conciliar a preservação de remanescentes florestais com infraestruturas de lazer modernas e segurança perimetral.
O dinamismo do mercado imobiliário de Umuarama é um pilar para a estabilidade e a atratividade financeira do município, contando com um alinhamento funcional entre a atração de excedentes monetários do agronegócio e a sua conversão em riqueza de caráter urbano, gerando emprego formal de elevada regularidade anual nas indústrias de materiais de construção e incorporação civil. O papel agregador do Sistema Venda Rápida permitiu que o mercado operasse de forma coordenada, minimizando assimetrias de informação e elevando a segurança regulatória para investidores estaduais e federais.
Perspetivando o futuro do desenvolvimento urbano da cidade, os conselhos de obras e desenvolvimento da cidade indicam que as tendências de segmentação de mercado continuarão a polarizar as estratégias das principais promotoras, privilegiando projetos de alto padrão com infraestrutura tecnológica sustentável integrada, ao passo que as bordas periurbanas continuarão a acolher loteamentos e condomínios fechados horizontais, sendo um dos principais e mais seguros campos de investimento em todo o município.
Paradas obrigatórias
O núcleo urbano de Umuarama foi estruturado com base em preceitos modernos de zoneamento e traçado geométrico, de autoria do engenheiro civil e sanitarista de origem russa Waldomiro Babkov. Esse planejamento previu a convergência de vias radiais em grandes praças circulares e a preservação de cinturões verdes, o que conferiu à cidade uma morfologia caracterizada pela integração entre áreas residenciais, comerciais e de preservação permanente.
Lago Aratimbó
Inaugurado em 31 de dezembro de 2000, durante a gestão do prefeito Fernando Scanavaca, o Lago Municipal Aratimbó foi regulamentado sob as diretrizes do Decreto Municipal nº 080/99. Ocupando uma área aproximada de 30.000 m² na zona norte do perímetro urbano, o lago foi concebido como um elemento paisagístico estruturante, planejado para valorizar os loteamentos residenciais em expansão ao seu redor. O complexo conta com quiosques equipados com churrasqueiras, parquinhos infantis, uma pista de caminhada pavimentada de uso público e uma diversidade de fauna composta por gansos, patos e garças.
Bosque Uirapuru
O Bosque Uirapuru, localizado na Avenida Apucarana, constitui uma das mais expressivas reservas de mata nativa inseridas no centro da malha urbana. A origem do parque está ligada ao projeto de Babkov que, ao caminhar pelas florestas intocadas da Serra dos Dourados durante os levantamentos topográficos iniciais da cidade, encantou-se com o uirapuru-vermelho (Pipra aureola). Fascinado pela vivacidade e pelo canto da ave, Babkov propôs o nome à diretoria da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná, que o aprovou por unanimidade.A trajetória histórica do bosque é marcada por conflitos de uso do solo urbano. Em 1970, metade da mata nativa original do bosque, que ocupava inicialmente um quarteirão inteiro, foi derrubada para viabilizar a construção do estádio de futebol conhecido como "Gigante da Baixada", sob a liderança do Umuarama Futebol Clube. Essa intervenção reduziu drasticamente o ecossistema local, consolidando a área atual do bosque em 58.124,7 m². Atualmente, o Bosque Uirapuru é gerido com foco no lazer comunitário e na preservação de remanescentes florestais, oferecendo quiosques para piqueniques, playgrounds, uma Academia da Terceira Idade (ATI) e pistas de caminhada sob a copa de perobas gigantes. O parque é monitorado e sedia projetos científicos, a exemplo do programa de arborização urbana coordenado pelo IFPR há mais de dez anos.
Bosque do Índio
O Bosque dos Xetás, popularmente conhecido como Bosque do Índio, localiza-se na Avenida Presidente Castelo Branco e abrange uma área de 179.868 m² de mata nativa remanescente. Caracteriza-se por possuir 2.300 metros de trilhas pavimentadas, pontes sobre nascentes internas, uma Academia da Terceira Idade e abriga a sede administrativa da Secretaria Municipal de Meio Ambiente. O parque foi projetado como um memorial dedicado à preservação da memória da tribo indígena Xetá, etnia de tronco linguístico Tupi-Guarani que habitava originalmente o noroeste do Paraná.
Réplica da Torre Eiffel
Às margens da rodovia PR-323, ergue-se uma das estruturas mais singulares e atrativas da região: a réplica da Torre Eiffel. Idealizada pelo empresário local Edson Roberto Ferrarin e finalizada em meados de 2008, a obra foi inspirada nas viagens do proprietário à capital da França e na aquisição de uma miniatura metálica utilizada como base de modelagem proporcional de escala 10 por 1. Com uma altura total de 32,4 metros — o equivalente a um edifício de 11 andares —, a torre de Umuarama representa exatamente 10% do tamanho da estrutura original parisiense.A construção do monumento demandou a utilização de aproximadamente 30 toneladas de ferro e fibra de vidro, sendo estruturada a partir de cerca de duas mil peças metálicas de encaixe simétrico. Na época de sua abertura, o primeiro pavimento continha oito placas explicativas de bronze detalhando o histórico da construção francesa e um elaborado sistema de iluminação noturna voltado para a rodovia.
Catedral Diocesana Divino Espírito Santo
Como sede episcopal da Diocese de Umuarama, a Catedral Diocesana do Divino Espírito Santo é um marco de arquitetura sacra contemporânea inaugurado solenemente em 7 de junho de 1987. A criação da paróquia deu-se em 17 de janeiro de 1974 por decreto de Dom José Maria Maimone, dividindo o território urbano que pertencia à antiga Paróquia de São Francisco de Assis. O projeto arquitetônico, de grande imponência visual e volumetria arrojada, foi desenhado pelo arquiteto Kozo Kassai, conhecido pelo projeto estrutural de outros templos religiosos no estado do Paraná.Uma das inovações infraestruturais mais relevantes do templo situa-se no seu subsolo, onde foi implantado um cemitério vertical com mais de mil lóculos. Esta estrutura verticalizada foi concebida para mitigar os impactos sanitários e socioambientais decorrentes do esgotamento de sepulturas tradicionais no cemitério municipal de Umuarama.
No plano das artes plásticas, a catedral abriga em seu altar-mor um painel monumental em afresco intitulado "Rainha dos Apóstolos". A pintura, executada pelos artistas Pedro Perozzi e Cesários Ceperó e concluída em 9 de dezembro de 1988, possui dimensões de 5,5 metros de altura por 7,5 metros de largura. Trata-se de uma releitura artística baseada na famosa composição mariana encomendada por São Vicente Pallotti em 1847 na Europa. A obra retrata a figura central de Maria em postura de introspecção sob a iluminação do Espírito Santo, circundada pelos apóstolos e discípulos em representação da união e comunhão mística da Igreja.
Praça Santos Dumont
A Praça Santos Dumont representa a principal rotatória octogonal da cidade, ligando oito direções de tráfego a partir de avenidas radiais. Desenhada em outubro de 1970 e oficialmente inaugurada em 31 de janeiro de 1972, a praça carrega forte simbolismo urbanístico ligado à história de Umuarama. Sob o prisma da análise de Kevin Lynch e de Gordon Cullen, a praça articula conceitos de complexidade e associatividade espacial devido à convergência viária em terreno com declividade acentuada, criando patamares e desníveis que produzem a sensação visual de "aqui e além" aos transeuntes.
O espaço, outrora denominado "Praça dos Bancos" devido à forte presença bancária no entorno, contava com um tradicional espelho d'água ladeando um obelisco de concreto aparente, monumento este que se mantém como ponto focal da rotatória. Em maio de 2023, sob a administração do prefeito Hermes Pimentel, a praça passou por uma requalificação paisagística marcante que incluiu a instalação permanente de uma aeronave militar desativada sobre base fixa, acentuando a homenagem ao patrono Alberto Santos Dumont, o pai da aviação.
Praça Miguel Rossafa
Fundada originalmente na década de 1950, a Praça Miguel Rossafa homenageia um dos colonizadores pioneiros do município. Em seu traçado inicial, a praça era subdividida em três seções descontínuas: uma grande rotatória circundada por duas pequenas ilhas triangulares. Esta configuração espacial fragmentada gerava conflitos de trânsito e dificultava a apropriação comunitária. Em maio de 2000, com o advento da Lei Municipal nº 2275, o Executivo procedeu à unificação física das três partes, reorganizando o fluxo viário e transformando a área em um amplo calçadão para eventos cívicos, lazer e comércio gastronômico.A evolução urbana da praça incluiu requalificações estruturais nos anos de 2003 e 2017.
Praça do Japão (Praça JK)
A Praça do Japão, oficialmente registrada como Praça Juscelino Kubitschek (JK), situa-se na confluência de eixos centrais da cidade. Há uma dualidade na literatura municipal quanto ao seu endereço formal, registrando-se localizações tanto na Avenida Paraná quanto no Largo do Triunfo, o que evidencia a complexidade das intersecções geográficas da malha urbana de Umuarama. O espaço foi projetado para homenagear os imigrantes de origem japonesa e sua relevante contribuição econômica para o desenvolvimento agrícola do noroeste do estado.
Entre junho e julho de 2021, a praça passou por uma revitalização coordenada pela Secretaria de Serviços Públicos. A intervenção substituiu os antigos brinquedos infantis por um playground moderno, implantou rampas de acesso para cadeirantes, quadra de areia cercada com alambrados de proteção e circuitos de caminhada pintados no piso. Para além dos elementos de infraestrutura desportiva, a praça recebeu novas mudas arbóreas por meio do programa ecológico municipal "Projeto Minha Árvore", fortalecendo a arborização urbana.
Centro Cultural Vera Schubert
O Centro Cultural Vera Schubert, situado na Avenida Rio Branco, no Centro Cívico, constitui o polo principal de atividades cênicas, preservação e difusão artística do município. O complexo cultural, construído ao final da década de 1980 e integrado na virada de 1990, sedia a Biblioteca Pública Municipal Rocha Pombo. Fundada originalmente pela Lei Orgânica Municipal nº 49, de 1971, a biblioteca conta com um acervo de mais de 22 mil itens e abriga o Espaço da Memória, que preserva coleções de cartões postais contemporâneos, fotografias históricas e documentos datilografados sobre os pioneiros da colonização de Umuarama.
A denominação do local homenageia a renomada pianista austríaca Vera Zita Nitsche Schubert, nascida em Viena a 8 de julho de 1908. Vera Schubert cresceu em uma mansão familiar próxima ao cemitério onde repousavam compositores ilustres como Beethoven, Schubert e Mozart. Vizinha do neurologista Sigmund Freud na juventude, sua vida sofreu profundas rupturas devido à Primeira e Segunda Guerras Mundiais. Após perder a mãe Lore para uma grave enfermidade e o pai Adolfo em uma clínica de saúde mental na Áustria, Vera precisou vender as posses familiares, incluindo os pianos de cauda, para sobreviver. Sobrevivente de bombardeios violentos na Europa, fugiu para Milão e imigrou para o Brasil, vindo a estabelecer-se em Umuarama em 1960. No município, ela dedicou-se ao ensino musical, fundando a Academia Musical Schubert, a escola de música mais antiga em funcionamento contínuo na região noroeste do Paraná.
Shopping Palladium
Uma quase eterna-promessa, o tão aguardado shopping center de Umuarama foi inaugurado em 4 de junho de 2021, sendo inclusive o primeiro centro comercial inaugurado no país naquele, época do auge da pandemia de Covid-19. Fruto de uma parceria de investimento entre o Grupo Tacla Shopping, a Paysage Empreendimentos e a FWS Empreendimentos, o complexo é um elemento impulsionador da economia e do comércio da microrregião.
O shopping foi construído em uma área total de terreno de 90.310 m², contando com 66.000 m² de área construída e mais de 24.000 m² de Área Bruta Locável (ABL). Sua estrutura contempla 120 lojas ativas, incluindo 10 lojas âncoras e megalojas, uma alameda integrada de serviços públicos e privados, um centro médico, academia de ginástica de grande porte, além de quatro salas modernas de cinema. A praça de alimentação possui espaço para 20 operações de redes de fast-food e um boulevard voltado para restaurantes gastronômicos. O empreendimento oferece estacionamento gratuito com capacidade superior a mil vagas para automóveis e bicicletário, destacando-se pela inserção de franquias de sucesso que geraram forte movimentação econômica no comércio paranaense.
O Frango na Telha
O prato típico oficial de Umuarama é o Frango na Telha, iguaria cuja criação remonta a uma articulação de membros do Rotary Club no ano de 1999. O festival original foi criado sob a nomenclatura de "FestFrango" pelo então presidente Rodrigo Pitioti e colaboradores dos Rotary Clubes locais (como o Rotary Capital da Amizade e o Rotary Catedral), com o objetivo duplo de impulsionar a proeminente cadeia agroindustrial de frangos do noroeste paranaense e arrecadar fundos beneficentes para entidades de assistência social da cidade.
Devido à grande aprovação popular, a Câmara Municipal aprovou lei específica oficializando a iguaria como o Prato Típico de Umuarama, integrando-o ao calendário oficial da Paraná Turismo e da Embratur. A festa oficial é realizada de forma anual no pavilhão de exposições da cidade durante o mês de novembro, com reversão total dos lucros para entidades carentes locais. A preparação tradicional do Frango na Telha é caracterizada por um processo em que a carne avícola passa por cozimento lento e recebe uma cobertura rica de creme branco e vegetais frescos, sendo assada diretamente sobre uma telha cerâmica curva refratária. O evento é realizado anualmente no mês de novembro.
Nova Estação Rodoviária de Umuarama
Inaugurada no dia 10 de dezembro de 2021, a entrega do terminal representou o fim de uma longa espera para a população e um marco para o desenvolvimento urbano da Capital da Amizade. A antiga rodoviária funcionava na Praça da Bíblia desde a década de 1970. Após cerca de 50 anos de uso, o local ficou saturado. O espaço central já não suportava o fluxo de passageiros e o trânsito pesado de ônibus, o que gerava engarrafamentos e riscos de acidentes no coração da cidade.
O novo prédio foi construído na Estrada Bonfim, às margens da BR-323. A estrutura conta com 7,8 mil metros quadrados de área construída, dividida em dois pisos. O investimento total para a conclusão da obra teve o suporte de R$ 9,7 milhões liberados pelo Governo do Estado do Paraná. A mudança de endereço tirou o fluxo de veículos pesados do centro da cidade. A nova localização conecta o terminal diretamente a rodovias importantes, como a PR-482, PR-487 e BR-323.

Nossa gente
Mais do que ruas, prédios e histórias registradas em documentos, uma cidade é formada pelas pessoas que dedicam suas vidas a transformar sonhos em realidade. Homens e mulheres que, em diferentes áreas de atuação, ajudaram a construir a identidade do município e levaram seu nome além de suas fronteiras. São trajetórias marcadas pelo trabalho, pela dedicação, pelo talento e pelo compromisso com a comunidade.
O Professor Amário Vieira da Costa foi um dos maiores ícones e pioneiros da história do esporte em Umuarama, Paraná. Nascido em Maringá no ano de 1951, ele mudou-se com os pais para Umuarama ainda na infância, cidade onde construiu sua vida acadêmica e profissional, atuando intensamente na estruturação e consolidação das práticas esportivas do município de Umuarama. Amário faleceu precocemente no ano de 1988, aos 37 anos de idade, vítima de um trágico acidente de motocicleta.
Como forma de imortalizar sua dedicação ao esporte local, a Prefeitura de Umuarama batizou a principal arena poliesportiva e maior praça esportiva coberta do município com o seu nome: o Ginásio de Esportes Professor Amário Vieira da Costa.
Nascida em Umuarama, Elaine Lopes da Silva foi uma modelo e rainha de beleza paranaense que ganhou destaque nacional no início dos anos 2000. Ela iniciou sua trajetória nas passarelas impulsionada por sua elegância e carisma, atributos que rapidamente a levaram a conquistar os principais títulos de beleza de sua região. Em 2002, Elaine foi eleita Miss Umuarama. No final daquele mesmo ano, representou sua cidade natal no tradicional concurso estadual, onde foi coroada Miss Paraná 2003. A vitória garantiu a ela o direito de disputar o título de Miss Brasil 2003, projetando sua carreira na moda e na publicidade regional.
Sua trajetória promissora foi interrompida de forma trágica no dia 21 de agosto de 2007, aos 24 anos. Elaine estava no último ano da faculdade de Administração e era casada. Sua morte causou grande comoção no estado, especialmente em Umuarama, onde é lembrada como um dos grandes nomes da história da beleza local.
Vera Zita Nitsche Schubert foi uma pianista, professora e uma das maiores figuras da história cultural de Umuarama. Nascida em Viena, na Áustria, em 1908, ela viveu os horrores de duas guerras mundiais na Europa. era chegou a Umuarama em 1960. Ela se tornou a principal incentivadora e professora de música da cidade, alfabetizando culturalmente gerações de umuaramenses por meio do piano.
Como homenagem em vida à sua imensa dedicação às artes, a prefeitura batizou o principal complexo cultural do município como Centro Cultural Vera Schubert, inaugurado entre o final dos anos 1980 e início dos 1990. A pianista viveu na cidade até os seus 100 anos de idade, vindo a falecer em 2008.

Cândido Garcia (1936–2018) & Neiva Pavan Machado Garcia (1942–2022) formaram um dos casais mais influentes da história do Paraná, unindo forças para transformar Umuarama de uma jovem cidade do interior em um dos maiores polos de ensino superior do sul do país. Juntos, eles idealizaram, fundaram a UNIPAR (Universidade Paranaense).
Casados, uniram a visão empreendedora e comercial de Cândido com o profundo rigor pedagógico e cultural de Neiva, decidindo migrar para o Paraná no início da década de 1970 com o plano ousado de criar faculdades.
O casal fundou a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Umuarama sob a bandeira da APEC (Associação Paranaense de Ensino e Cultura). Na época, Umuarama carecia de opções de ensino superior, e os pioneiros enfrentaram anos de trabalho árduo para estruturar os primeiros cursos.
Em 1986, Neiva fixou residência definitiva em Umuarama para liderar pessoalmente o processo de unificação das faculdades da APEC. Esse esforço conjunto culminou, em 1993, no reconhecimento oficial da UNIPAR pelo Ministério da Educação.
Em Umuarama, o legado do casal é imortalizado de forma integrada: a Fundação Cândido Garcia atua no desenvolvimento socioeconômico e tecnológico regional, enquanto o principal complexo de eventos da instituição leva o nome de Teatro Neiva Pavan Machado Garcia, reformulado e modernizado para manter viva a paixão da educadora pela cultura e arte local.
Orlando de Carvalho foi o primeiro piloto aviador de Umuarama, um dos grandes pioneiros do desenvolvimento e desbravamento do Noroeste do Paraná. Como primeiro piloto local, transformou a aviação em uma ferramenta de suporte, operando em pistas improvisadas de terra para conectar a isolada colônia ao restante do estado.
Chegou em Umuarama em 1965, quando ainda buscava um lugar próspero para viver. Casou-se com Lourdes Salete Remor de Carvalho em 1970. Foi na companhia dela que Orlando construiu não só sua família, mas também o sonho de abrir novos espaços. Comprou terras no Mato Grosso, fundou a Fazenda Nossa Senhora Aparecida, e entre idas e vindas, decidiu adquirir um avião.
Em 6 de março de 1987, Orlando faleceu durante um voo rumo à fazenda da família, após ser surpreendido por uma tempestade. Tinha apenas 42 anos. Hoje, o aeroporto regional de Umuarama carrega o seu nome.