No tribunal
Residente investigado por atirar em hospital de Umuarama presta depoimento
Etapa concluída nesta quinta define próximos passos do processo, incluindo possível júri popular
Publicado em 28/08/2026 às 15:28
A audiência de instrução e julgamento do processo contra o médico residente Gabriel Damasceno Camargo, de 27 anos, foi realizada nesta quinta-feira (27) pela Justiça de Umuarama. Ele é investigado por atirar contra um médico ortopedista dentro do Hospital Cemil, em 15 de maio. Durante a sessão, foram ouvidas cinco testemunhas indicadas pelo Ministério Público e oito apresentadas pela defesa, além do interrogatório do próprio réu.
Com essa etapa concluída, o processo segue para as manifestações finais do Ministério Público e da defesa. Em seguida, caberá à magistrada responsável pelo caso analisar o conjunto das provas reunidas e decidir se o processo deve ser encaminhado ao Tribunal do Júri, instância responsável por julgar crimes dolosos contra a vida, como a tentativa de homicídio.
Relembre o caso
O episódio ocorreu em 15 de maio, no Hospital Cemil, quando Gabriel, então médico residente, teria atirado contra um médico ortopedista durante um atendimento. O disparo atingiu de raspão a cabeça de uma paciente de 58 anos que estava no local, sem causar ferimentos graves. Segundo informações da Polícia Militar do Paraná divulgadas à época, nem o ortopedista nem a paciente perceberam o momento em que o residente sacou a arma.
Após o disparo, Gabriel deixou o hospital e, durante a fuga, teria rendido um motorista e tentado roubar o veículo. Ele foi preso pouco tempo depois, e a polícia apreendeu com ele um revólver calibre 32, munições intactas e cápsulas já deflagradas. De acordo com as autoridades, a arma não possuía registro e o médico não tinha porte legal para portá-la. Em razão da sequência de fatos, o caso passou a ser investigado tanto como tentativa de homicídio quanto como roubo, este último relacionado à abordagem do motorista durante a fuga.
Defesa alega quadro psiquiátrico e obteve internação provisória
A defesa de Gabriel sustenta que ele apresentava um quadro psiquiátrico grave à época dos fatos e necessitava de acompanhamento especializado. Com base nesse argumento, a juíza da 2ª Vara Criminal de Umuarama autorizou, em 25 de maio, a substituição da prisão preventiva por internação psiquiátrica provisória em uma clínica particular indicada pela defesa. O Ministério Público havia se manifestado contrário ao pedido.
Paralelamente à ação criminal, o Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) instaurou uma sindicância para apurar a conduta profissional do residente. Gabriel também foi desligado do programa de residência médica do Hospital Cemil em decorrência do episódio.
O andamento do processo segue agora para a fase de alegações finais, quando Ministério Público e defesa apresentam seus argumentos antes da decisão da magistrada sobre o encaminhamento ou não do caso ao Tribunal do Júri.
Fonte: Portal da Cidade Umuarama
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