Acolhimento
Estudantes de Medicina da Unipar participam de ação voltada à população em situação de rua
Os alunos participaram da programação especialmente desenvolvida pela Apromo e outros parceiros nesta quarta
Publicado em
20/08/2026 às 10:08
Atualizado em
Os alunos do curso de Medicina da Universidade Paranaense (Unipar) participaram, nesta quarta-feira (19), de ação promovida pela Associação de Apoio à Promoção Profissional de Umuarama (Apromo) em comemoração ao Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua, celebrado anualmente em 19 de agosto.
A atividade teve como objetivo oferecer atendimento básico de saúde às pessoas acolhidas pela instituição e aproximar os estudantes da realidade da população em situação de vulnerabilidade social.
A data foi instituída pela Lei nº 15.187, sancionada pela Presidência da República em 4 de agosto de 2025. A criação do Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua teve origem no Projeto de Lei (PL) 4.752/2019, relatado no Senado.
A escolha de 19 de agosto faz referência ao chamado Massacre da Sé, uma série de ataques violentos contra pessoas em situação de rua na Praça da Sé, em São Paulo, entre os dias 19 e 22 de agosto de 2004. Ao todo, 15 pessoas foram agredidas enquanto dormiam. Sete perderam a vida e outras seis ficaram com sequelas permanentes.
Atendimento de saúde
Durante a ação na Apromo, 15 alunos do curso de Medicina, acompanhados pelo professor doutor Eguimar Martins, realizaram procedimentos como verificação de HGT, que é uma forma direta de medir o nível de açúcar no sangue, aferição da pressão arterial e escuta cardíaca.
Para Eguimar, a participação dos estudantes nesse tipo de atividade é importante para que eles tenham contato direto com uma população que muitas vezes é alvo de preconceito e possam compreender, na prática, a importância do atendimento humanizado.
“Acho que a principal importância é o contato com pessoas no perfil que temos aqui, pessoas em situação de rua. Contato para podermos desmistificar alguns pensamentos e otimizar um olhar mais adequado sobre a situação. Com menos preconceito, rótulo e distinção. Esse contato é fundamental para trabalhar a humanização”, explicou o professor.
A atividade realizada na Apromo faz parte das ações desenvolvidas pela residência de Medicina de Família e Comunidade. O trabalho é voluntário e conta com a participação dos estudantes que todas as sextas-feiras estão na instituição para realizar atendimentos gratuitos.
Durante os atendimentos, os pacientes passam por uma triagem e, quando necessário, são encaminhados para a Unidade Básica de Saúde (UBS) Guarani, responsável por dar continuidade à assistência.
“Nessa unidade também temos uma equipe de médicos preceptores do curso de Medicina. Aqui fazemos o direcionamento para um médico específico. Tudo é bem organizado. Os pacientes saem daqui já com um encaminhamento. Com todas as informações para o médico preceptor, dessa forma, ele já sabe que vai atender aquele paciente com horário agendado”, relatou Eguimar.
Experiência para os estudantes
Para a aluna Ana Caroline Negri, que está no 10º período de Medicina, a participação nas atividades permite aos estudantes conhecerem de perto diferentes realidades sociais e entenderem como o trabalho médico pode contribuir para melhorar a vida dessas pessoas.
“Para mim é muito bom conhecer a população no geral e saber o que posso ajudar. Acredito que posso ajudar e melhorar a vida deles um pouquinho que seja. Além disso, é uma experiência individual, de crescimento mesmo. Acredito que ver a vulnerabilidade e poder ajudar é crescimento tanto pessoal quanto profissional”, disse.
O contato direto com os acolhidos também faz parte de uma proposta de formação que busca aproximar os futuros médicos das situações encontradas fora dos ambientes tradicionais de atendimento.
Apoio da Unipar
Para o presidente da Apromo, José Lopes Junior, a parceria com a Unipar é importante para ampliar o acesso da população em situação de rua aos serviços de saúde, especialmente diante das dificuldades e do preconceito enfrentados por essas pessoas.
“O curso de Odontologia da Unipar foi o primeiro a iniciar os atendimentos na Apromo. Aí quando o curso de medicina iniciou, conversei com o Professor Doutor Eguimar e fizemos a proposta dos alunos também realizarem atendimentos aqui. Ele topou e hoje conseguimos atender de forma bem específica as demandas dessa população. Primeiro que eles já são vistos diferente por quem tá lá no espaço, né? Que não deveria, mas acaba acontecendo.
Então existem alguns constrangimentos. Eles iam até a unidade e chegavam aqui muitas vezes relatando que não tinham recebido atendimento e não fazia o que tinha que fazer. Nós conseguíamos executar e facilitar aquela ajuda que era necessária. Agora, com esse atendimento dos alunos da Unipar uma vez na semana, eles vêm fazer esse atendimento aqui e já recebem o encaminhamento correto. Com isso a maioria dos atendimentos tem acontecido”, explicou.
Segundo Junior, a presença dos estudantes também permitiu identificar situações de saúde que, em alguns casos, eram desconhecidas pelos próprios pacientes.
Ele citou atendimentos odontológicos e avaliações clínicas em que foram encontradas alterações que precisavam de acompanhamento especializado.
Junior também contou que existem diversos casos de pessoas que passaram pela Apromo e receberam atendimentos especializados, como implantes dentários e próteses.
Durante as avaliações clínicas, também foram identificados problemas de saúde, como pressão arterial muito alterada, HGT elevado e alterações na escuta cardíaca. Em muitos desses casos, segundo ele, a pessoa não sabia que apresentava o problema.
Apromo
Fundada em 1991, a Apromo, em Umuarama, tem capacidade para acolher até 40 pessoas, sendo 32 vagas masculinas e 8 femininas. Entre os espaços destinados às mulheres, há um quarto de família com capacidade para receber até quatro pessoas. O ambiente é destinado preferencialmente a mulheres acompanhadas de crianças.
Atualmente, a instituição está atendendo 35 pessoas. Segundo a assistente social Andréia Lupepsa de Almeida, a associação recebe, anualmente, entre 900 e 1 mil pessoas.
A Apromo oferece acolhimento, atendimento com assistente social e psicóloga, além de quatro refeições diárias: café da manhã, almoço, café da tarde e jantar.
A instituição também realiza encaminhamentos para o mercado de trabalho e busca auxiliar os acolhidos na retomada da autonomia e na saída da situação de rua.
As pessoas podem permanecer na Apromo por até três meses. Durante esse período, recebem acompanhamento e são encaminhadas, conforme as necessidades identificadas, para serviços de saúde, assistência social e outras estruturas da rede de atendimento.
Fonte: Portal da Cidade Umuarama
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