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Segunda força

Polo estadual da mandioca, Umuarama supera R$ 1 bilhão em produção agropecuária

Chegada da gigante Amafil, investimento de R$ 50 milhões, reforça cadeia produtiva e valoriza terras no Arenito Caiuá

Publicado em 04/08/2026 às 14:53

Arrendamentos para mandioca elevam preço do alqueire a até R$ 180 mil e impulsionam VBP agropecuário a mais de R$ 1 bilhão (Foto: Divulgação)

O Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária de Umuarama superou, pela primeira vez, a marca de R$ 1 bilhão, atingindo R$ 1.002.268.067,92 — uma expansão nominal de 8,09% em relação ao ciclo anterior, quando o município registrou R$ 927.242.000,00.

O avanço coloca Umuarama entre um grupo restrito de cerca de 30 municípios paranaenses, dos 399 existentes no estado, com VBP superior a R$ 1 bilhão, e reforça o município como a segunda maior força agropecuária do Paraná, atrás apenas de Paranavaí.

O indicador tem peso direto nas finanças públicas: o VBP responde por 8% da fórmula usada pelo Governo do Estado para calcular a cota-parte do ICMS devida a cada município. Em Umuarama, o faturamento agropecuário representa 13,23% do VBP total do Núcleo Regional, que movimenta R$ 7,57 bilhões em 21 a 24 municípios da região Noroeste, e corresponde a 0,53% de todo o VBP agropecuário do Paraná.

A chegada da Amafil

O principal fator por trás da nova dinâmica econômica é a confirmação da instalação de uma unidade fabril de beneficiamento de mandioca em Umuarama pelo Grupo Amafil, com investimento privado estimado em R$ 50 milhões. O empreendimento segue um modelo de parceria público-privada: a aquisição do imóvel, o aporte de capital para obras civis e a montagem de maquinário ficam a cargo da indústria, enquanto a Prefeitura Municipal executa os serviços de terraplanagem no terreno e a adequação das vias de acesso.

A projeção de processamento diário é robusta e inclui 600 toneladas/dia de fécula de mandioca e 400 toneladas/dia de amido de milho. no quilômetro 5 da PR-468, na saída para Mariluz.  Até a chegada da fábrica, a ausência de uma planta com capacidade de moagem compatível com o volume colhido em Umuarama obrigava produtores a escoar a mandioca in natura para fecularias de municípios vizinhos, como Altônia, Pérola, Alto Paraíso e Cianorte.

Esse deslocamento gerava custos elevados de frete para o transporte de uma matéria-prima de baixo valor agregado por tonelada e alto teor de umidade. Com a planta instalada no município, o valor adicionado fiscal da produção tende a ficar retido em Umuarama, com reflexo direto na futura cota-parte do ICMS municipal.

O ciclo da "cultura nômade" no Arenito Caiuá

A formação pedológica do Arenito Caiuá, predominante na região Noroeste do Paraná, apresenta solo de textura leve e arenosa, propício ao desenvolvimento radicular da mandioca. No Núcleo Regional de Umuarama, a cultura ocupa entre 52 mil e 67,5 mil hectares, com safras que somam 1,6 milhão de toneladas, segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral).

A produção se sustenta em uma cadeia de complementaridade entre atividades rurais da região: o esterco dos aviários regionais funciona como adubo orgânico para o cultivo da mandioca, enquanto a própria lavoura descompacta solos de pastagens degradadas, preparando a terra tanto para rotação com soja quanto para devolução como pasto renovado a pecuaristas. O movimento cíclico entre avicultura, lavoura temporária e pecuária é o que caracteriza o que produtores da região chamam de "cultura nômade" da mandioca.

Em âmbito estadual, a cadeia industrial da mandioca movimentou 2,9 milhões de toneladas processadas em 126,4 mil hectares colhidos, com VBP setorial de R$ 2,49 bilhões. Somada à mandioca de mesa (aipim), cultivada em 19,6 mil hectares e responsável por R$ 615,1 milhões, a cadeia da mandioca no Paraná ultrapassa R$ 3,1 bilhões em valor bruto gerado no campo.

Valorização das terras rurais

A expansão da cultura também aquece o mercado imobiliário rural na região. O preço do alqueire no perímetro de Umuarama varia entre R$ 60 mil e R$ 180 mil, impulsionado pela rentabilidade dos arrendamentos voltados à mandioca e a grãos.

O movimento é explicado, em parte, pela comparação de margens entre atividades. A pecuária tradicional em pastagens de baixa lotação registra margem de R$ 2.895,00 por hectare, patamar que muitos produtores consideram inferior à renda obtida com o arrendamento de áreas para mandioca — modelo que não exige investimento em capital de giro e devolve, ao fim do contrato, uma terra corrigida e apta para novas atividades. Também a bovinocultura de leite, com margem bruta média de R$ 1.878,32 por hectare, passou a precisar de maior eficiência zootécnica para competir com o valor pago pelos arrendatários de mandioca e grãos.

A introdução de tecnologias de correção de solo, adubação orgânica e rotação de culturas também alterou a percepção de valor de áreas antes classificadas como marginais, hoje cotadas em até R$ 180 mil por alqueire em regiões de boa logística — reduzindo a distância de preço em relação aos solos roxos do norte e do oeste do Paraná.

Mercado internacional

A cadeia da mandioca paranaense também ganhou espaço no mercado externo: as exportações de fécula produzida no estado cresceram 80%, atendendo a mercados internacionais mais exigentes. Com a chegada da fábrica da Amafil, Umuarama passa a ocupar posição mais central na cadeia de suprimentos de amido industrial e alimentos, ampliando o alcance da produção local muito além da região Noroeste do Paraná.

Fonte: Portal da Cidade Umuarama

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