Mercado de trabalho
O que muda para trabalhadores e empresas de Umuarama com a aprovação do fim da escala 6x1
Funcionários citam cansaço e falta de tempo, enquanto comércio aponta custos e novas contratações; texto prevê 40 horas semanais sem corte salarial
Publicado em
18/10/2026 às 10:55
Atualizado em
O fim da escala 6x1 deve provocar mudanças na rotina de trabalhadores e empresas de Umuarama, especialmente no comércio, supermercados, farmácias e lojas de shopping. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 foi aprovada pelo Senado na quarta-feira (14), com 75 votos favoráveis e um contrário nos dois turnos de votação.
A proposta prevê dois dias de descanso remunerado por semana e a redução gradual da jornada máxima, sem diminuição salarial. Dois meses após a publicação da emenda, o limite semanal deve cair de 44 para 42 horas. Após mais um ano, passará para 40 horas. No Paraná, mais de 1 milhão de pessoas trabalham na escala 6x1, segundo levantamento do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O número representa 35,82% dos trabalhadores do estado.
Impacto no varejo de Umuarama
Em Umuarama, o modelo de jornada é comum em redes de supermercados, farmácias, lojas de shopping e outros estabelecimentos de atendimento ao público. A mudança deve exigir a reorganização de escalas, turnos e contratações para manter o funcionamento das lojas.
Para lojas de médio e grande porte, a adaptação tende a ser mais suave. A variação do fluxo de clientes ao longo da semana permite reduzir equipes nos dias de menor movimento e manter o time completo nos fins de semana, quando as vendas atingem o pico.
O cenário é diferente para pequenas empresas e estabelecimentos com equipes de apenas dois ou três funcionários. Nesses casos, a margem para reorganizar a escala é menor e a cobertura das folgas adicionais pode exigir jornadas mais longas em determinados dias.
“Tende a ser mais suave, pois a variação do fluxo de clientes ao longo da semana permite trabalhar com equipes reduzidas nos dias mais calmos e manter o time completo nos finais de semana, quando o movimento atinge o pico. Por outro lado, o cenário é desafiador para pequenas empresas e estabelecimentos com equipes enxutas de apenas dois ou três funcionários”, avaliou a gerente de uma loja de varejo em Umuarama, ouvida pelo Portal da Cidade.
Supermercados e farmácias
Nos supermercados, setores como perecíveis, padaria e reposição noturna exigem cobertura contínua. Com a redução da carga semanal de cada trabalhador, as empresas precisarão recompor horas de atendimento, seja por novas contratações ou pela criação de turnos parciais.
As farmácias também enfrentam uma exigência específica: a presença obrigatória de profissionais farmacêuticos no balcão. A reorganização das escalas pode demandar mais esforço para atrair e distribuir esses profissionais, especialmente em unidades que funcionam por longos períodos.
Algumas grandes redes do setor já adotaram a escala 5x2 de forma antecipada. No varejo alimentar, empresas que implementaram a folga dupla de maneira voluntária relataram aumento na procura por suas vagas, em um mercado que enfrenta dificuldade para atrair e reter profissionais.
Shopping exige presença nos fins de semana
No comércio de shopping, o maior volume de vendas ocorre aos sábados e domingos. Por isso, a presença das equipes no final de semana deve continuar sendo indispensável mesmo após a mudança da escala.
Na prática, as duas folgas semanais tendem a se concentrar entre segunda e sexta-feira, e não necessariamente aos domingos. Para lojas que já adotavam folga fixa semanal, domingos intercalados e folgas eventuais, a transição deve ocorrer com menos rupturas. Já o pequeno comércio deverá buscar equilíbrio entre manter o horário de funcionamento, evitar sobrecarga dos funcionários e arcar com a necessidade de novas contratações.
Trabalhadores e empregadores
Para trabalhadores que atuam na escala 6x1, as principais queixas são a falta de tempo para a vida pessoal, o cansaço físico e mental e a reduzida convivência familiar. A aprovação da proposta no Senado representa um avanço esperado por parte desses profissionais.
A secretária-geral do Sindicato de Umuarama, Maria Cristina Ramos, apresentou uma moção de apoio à medida durante reunião do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, realizada em junho. Segundo ela, o fim da escala 6x1 e a redução da jornada beneficiam especialmente as mulheres, que ainda acumulam trabalho assalariado com cuidados domésticos e familiares.
“Avalio que o Conselho da Mulher é um espaço onde devemos discutir todo e qualquer avanço no sentido de se melhorar a qualidade de vida das mulheres, incluindo não somente o combate à violência, mas também a ampliação dos direitos da mulher trabalhadora”, afirmou Maria Cristina.
Do lado dos empregadores, os principais pontos de atenção são o aumento dos custos operacionais, a necessidade de contratar para cobrir as horas reduzidas e a possibilidade de reajuste de preços. Micro e pequenas empresas afirmam que podem ter dificuldade financeira para ampliar equipes, o que pode levar à redução do horário de funcionamento ou à busca por alternativas de organização.
Próximos passos da proposta
A PEC 221/2019 foi aprovada pelo Senado, mas ainda depende dos trâmites legislativos seguintes para produzir efeitos práticos. Enquanto a mudança não for publicada, a escala 6x1 continua valendo conforme as regras atuais.
Em Umuarama, a expectativa é de que supermercados, farmácias, lojas de shopping e pequenos comércios comecem a avaliar escalas alternativas, contratações e turnos parciais. A transição deve ocorrer de forma gradual, acompanhando a redução prevista da jornada semanal e a implementação das duas folgas remuneradas por semana.
Fonte: Portal da Cidade Umuarama
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