Portal da Cidade Umuarama

Manual imobiliário

Casas quadradas pouco afetam a compra, mas mudam o jeito de construir em Umuarama

Fachadas de linhas retas e cores neutras geram debate nas redes, porém, o comprador de imóvel pronto prioriza localização, segurança e revenda

Publicado em 29/10/2026 às 18:04
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Enquanto o estilo pouco altera o perfil de quem quer comprar imóveis prontos, ele já domina os pedidos feitos aos arquitetos (Foto: Portal da Cidade Umuarama/Gabriel Rocha)

Linhas retas, grandes panos de vidro, platibanda escondendo o telhado e uma paleta restrita ao branco, cinza e bege. Nas redes sociais, esse visual contemporâneo virou meme e alvo de debates sob o rótulo de "casa com cara de clínica", contraposta à tradicional "casa com cara de casa".

Mas o que rende polêmica na internet tem peso real na hora de fechar negócio? Em Umuarama, a resposta varia. Enquanto o estilo pouco altera o perfil de quem quer comprar imóveis prontos, ele já domina os pedidos feitos aos arquitetos por quem decide construir — ganhando força nos condomínios fechados, mas marcando presença também nos bairros populares.

Modelo apontado como "casa com cara de casa"



Por que o modelo se espalhou

A adoção do formato tem motivos técnicos. Formas geométricas simples e ângulos retos facilitam o cálculo estrutural. O uso de concreto armado, vigas metálicas e steel frame (estrutura de perfis de aço leve) permite vencer grandes vãos com menos paredes internas de sustentação.

Isso viabiliza a chamada planta livre, em que sala, cozinha e área externa formam um único ambiente, em linha com o estilo de vida que prioriza a convivência da família. Paredes retas também aproveitam melhor o terreno dentro dos recuos e do coeficiente de aproveitamento (proporção da área construída em relação ao terreno) definidos pelas regras de zoneamento dos condomínios fechados.

Para o arquiteto Victor Fabri, essa preferência reflete um desejo direto por estética e eficiência. “Vejo essa tendência muito ligada à busca por modernidade e elegância, priorizando linhas retas e fachadas limpas”, pontua. O profissional destaca que o ganho vai além do apelo visual. “Formas simples facilitam a execução da obra, reduzem desperdícios e otimizam os espaços. Contudo, isso não significa que uma casa 'caixa' seja sempre mais barata, pois o custo final depende muito das soluções adotadas, dos materiais e da cobertura escolhida”, explica.



O arquiteto alerta para os riscos de seguir modismos sem planejamento. “Arquitetura não é apenas reproduzir uma tendência. Uma casa precisa ter personalidade, ser funcional e confortável, respeitando fatores cruciais como a orientação solar, a ventilação e as características do terreno”, ressalta. “No fim, o formato quadrado não é o que torna uma casa bonita. O que faz a diferença é a inteligência do projeto em unir estética, conforto e orçamento dentro de uma boa solução volumétrica.”

O que dizem os números e o mercado de imóveis prontos

Nas redes sociais, o assunto ganha mais peso do que costuma ter na prática. No mercado imobiliário de Umuarama, o comprador de imóvel pronto de alto padrão, em condomínio fechado ou loteamento, encontra oferta em que o perfil minimalista predomina.

Esse comprador raramente desiste do negócio só pela aparência da fachada. Costuma priorizar localização, segurança, integração dos ambientes e facilidade de revenda. O padrão contemporâneo também tende a ter boa liquidez, ou seja, é mais fácil de vender, o que faz o mercado absorver essas casas com rapidez.

Ebster Depieri - Corretor - Creci-PR F-31565

Faz diferença?

Hoje, o comprador está muito mais atento ao que a casa oferece por dentro do que propriamente à fachada. Ele quer saber como os ambientes estão distribuídos, quantas suítes tem e se o imóvel atende às necessidades da família. Uma casa com quatro suítes, por exemplo, não é tão fácil de encontrar, principalmente em determinadas faixas de preço. Então, muitas vezes, a configuração interna pesa mais na decisão do que o estilo arquitetônico.

Ebster Depieri - Corretor - Creci-PR F-31565

Na avaliação Ebster Depieri, corretor anunciante do Portal da Cidade Umuarama, a arquitetura também tem favorecido linhas mais retas e formas geométricas, com fachadas que podem parecer semelhantes entre si. “Projetos cheios de detalhes e ornamentos podem cansar com o tempo, enquanto uma proposta mais simples tende a agradar a diferentes perfis. É claro que a fachada também importa e pode afastar um comprador se não agradar, mas, na minha experiência, o que realmente faz diferença é o que ele encontra dentro da casa”, afirma.

Depieri ressalta, ainda, que projetos personalizados podem fugir desse padrão quando o próprio cliente solicita elementos arquitetônicos diferenciados. Para ele, porém, a preferência individual pela aparência externa nem sempre é o fator determinante na hora de fechar negócio.



Quem constrói pede mais acolhimento

A mudança de comportamento está em quem compra o terreno para construir. O investidor que constrói para vender mantém o modelo “caixa”, com platibanda e linhas retas, porque o valor do metro quadrado exige otimização financeira: o formato retangular é mais rápido e barato de erguer.

Já o morador que constrói para si passou a levar mais exigências aos escritórios de arquitetura da cidade. Há um movimento visível de pedidos por elementos que suavizam o branco predominante, como brises de madeira (ripas que filtram a luz), revestimentos que imitam pedra natural, detalhes em concreto aparente e paisagismo mais denso.

Tendência para o mercado

Entre as imobiliárias locais, não há rejeição às casas geométricas, que seguem associadas à modernidade. O que mudou foi o nível de exigência do cliente de médio e alto padrão: ele continua buscando uma casa moderna, mas quer que ela também seja acolhedora e funcional. O ajuste, por ora, ocorre mais nos projetos novos do que nos preços e na oferta de imóveis prontos.

Fonte: Portal da Cidade Umuarama

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