Mercado imobiliário
Entorno do shopping atrai novos aportes e Centro de Umuarama busca reter público
Enquanto o Alto da Paraná recebe condomínios e sedes corporativas, zona tradicional de Umuarama passa por reurbanização de R$ 7 milhões
Publicado em
20/07/2026 às 17:40
Atualizado em
Nos últimos anos, Umuarama passou a viver um movimento em duas direções diferentes que muda a forma como a cidade cresce. De um lado, a região do Alto da Paraná — o chamado Novo Centro — concentra novos canteiros de obras, condomínios fechados e investimentos de grande porte. Do outro, o centro histórico tradicional, que se estende entre as praças Santos Dumont e Arthur Thomas, tenta se reinventar em meio a um cenário de clara transição, com diversos terrenos à venda e salões comerciais constantemente disponíveis para locação.
Apesar deste movimento não ser exclusivo de Umuarama, ele reflete uma mudança urbana que mexe diretamente com o bolso do consumidor e com o rumo dos negócios locais. A força motriz dessa nova fase imobiliária se concentra no entorno do Shopping Palladium, que completou cinco anos de funcionamento em 2026, e da Nova Estação Rodoviária.
A região tornou-se um ímã para condomínios horizontais, atraindo moradores de alto poder aquisitivo. Essa localização privilegiada ganhará um impulso extra com o início das obras do Centro Multifuncional Regional. O complexo de R$ 32 milhões, financiado pelo Estado, será a nova sede da ACIU e da Casa do Empreendedor, confirmando a região como o novo eixo de decisões corporativas da cidade.
Outro exemplo é o Jardim Malta, empreendimento da Abdon & Cabrelli que já conta com 83 casas comercializadas na região e que em breve entrará na terceira fase de entregas. De acordo com a gerente de vendas e corretora, Adriana Risato, a consolidação desse perímetro gerou uma forte valorização dos terrenos na região da Gleba Figueira.
"A proposta do Novo Centro tem surtido efeitos práticos e organizado a geografia urbana de Umuarama a partir dali", destaca. A profissional aponta ainda que o valor agregado gerado por esses investimentos eleva a estima da localidade e incentiva naturalmente a progressão econômica.
Paralelo ao ritmo dos novos lançamentos, o comércio tradicional do Centro tradicional lida com a presença de imóveis comerciais vagos na avenida Paraná e suas transversais. Em conversa com o Portal da Cidade Umuarama, o comerciante Devair Catuzo compartilhou a perspectiva de que por serem prédios antigos, muitos pontos exigem reformas caras de manutenção e adaptações de acessibilidade para novos negócios. "Quando esses custos de reforma são somados aos valores de aluguel, a conta muitas vezes não fecha para o comerciante", diz.
Para José Luiz Marques, corretor da Imobiliária União, a razão econômica atua como o principal fator para que muitos imóveis centrais permaneçam disponíveis para locação. O especialista destaca a mudança estrutural no comportamento de consumo como motor desse cenário. "O comércio se desenvolveu de uma forma onde muito do que antes era feito de maneira estritamente presencial agora ocorre pela internet, alterando a dinâmica das lojas físicas", avalia.
Os proprietários — muitos com prédios consolidados na cidade há anos — buscam proteger o valor de seus patrimônios, evitando reduções que possam desvalorizar a região no longo prazo. Ao mesmo tempo, os lojistas enfrentam uma nova realidade de mercado e precisam de mais flexibilidade e custos menores para viabilizar o comércio de rua hoje em dia. Encontrar esse meio-termo, onde a conta feche tanto para o investimento do proprietário quanto para o bolso do comerciante, é o grande desafio atual para a ocupação dessas salas comerciais.
Para tentar reequilibrar essa balança e dar cara nova ao centro histórico, a Prefeitura e o Estado iniciaram uma obra de reurbanização de R$ 7 milhões. O foco principal é a antiga rodoviária, que será transformada em uma "Rua da Cidadania", reunindo postos de saúde, assistência social e bases operacionais da Guarda Municipal e Defesa Civil para melhorar a segurança da área.
Além disso, a mudança do terminal urbano para a Praça da Bíblia e a reestruturação do Camelódromo tentam reordenar o trânsito e garantir que o fluxo diário de milhares de passageiros continue alimentando o comércio de calçada da região.
Apesar do forte crescimento do Novo Centro, é perceptível que a cidade não está perdendo seu coração histórico, mas sim dividindo as vocações de cada espaço. O empresário Ziad Sabeh explica que o comércio no Alto da Paraná é o destino de compras planejadas e de maior valor agregado, como concessionárias de veículos e lojas de móveis de alto padrão, enquanto o Centro tradicional mantém sua força no varejo popular de grande rotatividade, utilidades e lojas de departamentos.
Marcas fortes do comércio de massa, como as Lojas G e a Nossa Casa, continuam investindo no fluxo do centro tradicional, provando que a região ainda retém um público consumidor indispensável.
O desenvolvimento do mercado imobiliário em Umuarama mostra que expansão e preservação podem andar juntas. Enquanto a Gleba Figueira abre espaço para novos investimentos e moradias modernas, a área tradicional continua sendo o ponto de referência para serviços públicos e comércio popular de grande circulação.
Fonte: Portal da Cidade Umuarama
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