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Respeito!

O que o futsal une, o amor mantém sem preconceitos e ainda com muito apoio

História de amor da jogadora Nathalia Frigo, de 26 anos, prova que a igualdade de gênero não fere a autonomia de homem e mulher em uma relação amorosa

Publicado em 18/08/2023 às 09:04
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“Ela é o cara”! Nathy Frigo tem a felicidade de ter um fã especial, um parceiro afetivo que a incentiva na carreira de jogadora (Foto: Arquivo pessoal)

José Albarracin Zanon, hoje com 67 anos de idade, não imaginava que as brincadeiras futebolísticas com a neta, ainda criança, em Alto Piquiri (a 43 quilômetros de Umuarama) iriam levá-la a se apaixonar por um dos esportes mais amado pelos brasileiros. O olhar sem preconceito do avô na relação da neta com a modalidade que ainda sofre a classificação errônea de ser apenas viável para o gênero masculino, fez com que nascesse para o futsal a ala/pivô Nathalia Frigo, de 26 anos, atualmente atleta do Umuarama Futsal Feminino.

O incentivo avoengo foi gratificado na década de 2010, quando Nathy Frigo se transfere dos jogos amadores em Alto Piquiri e no Sesc para as quadras profissionais do Colégio Global, em Umuarama, por intermédio de uma seleção e uma bolsa de estudos. Ao fim da oportunidade no estabelecimento de ensino particular, Nathy Frigo continuou seus treinos na Associação de Futsal de Umuarama (AFSU).

Mesmo morando em Alto Piquiri, e com a transferência para a AFSU, a jogadora conseguiu terminar o 2º Grau no Colégio Global. “Acordava às 6h, ia para a aula que começava às 7h, almoçava e já ia para o ponto esperar um micro-ônibus que me levava para os treinos no ginásio de esportes, em Umuarama. Quando eu perdia o ônibus de volta, pegava outro até Perobal, onde meu pai vinha me pegar”, lembra a atleta, que ainda reside na cidade de Alto Piquiri.

Basta chegar a um dos treinos do Umuarama Futsal Feminino para ver Lucas Mateus Nascimento na arquibancada. Ele sempre acompanha a amada nas curtas viagens entre Umuarama e Alto Piquiri

A fala acima da jogadora ressalta o esforço imposto aos que desejam praticar qualquer esporte no Brasil, e que ganha elevado grau de dificuldade quando se trata de uma mulher. Sem contar com a transformação de parte dos dividendos oriundos da sociedade em práticas sociais, seja por parte do poder público ou privado, Nathy Frigo e as demais jogadoras do Umuarama Futsal Feminino mantêm uma vida profissional normal fora das quatro linhas. No caso da Nathy Frigo, ela conseguiu se formar em Engenharia Civil.

Levar em paralelo as duas atividades demanda, como fica evidenciada na tradução da história de Nathy Frigo, muito esforço e amor. Entretanto, o respeito familiar, aqui traduzido no espírito do vô Zezinho, segue no companheiro escolhido pela atleta. O administrador de empresas Lucas Mateus Nascimento, de 25 anos, esposo da jogadora, a conheceu no lugar mais propício ao amor dos dois: uma quadra de futsal, durante um jogo.

Nathalia Frigo, de 26 anos, dedica gol marcado contra o Guarapuava, na atual temporada, em Umuarama, para o marido Lucas Mateus Nascimento, de 25 anos (Foto: Thalyta Silva/AFSU)

“A gente se conheceu em 2017, em uma quadra em Alto Piquiri, a partir de um convite. A partir de então, ela passou a ir sempre e fomos nos conhecendo e começamos a namorar e nos casamos em 2022”, revela Lucas, destacando o mais importante: “ela sempre teve esse amor grande por jogar bola, o que combinou comigo”.

A química que contribui com a união do casal recebe mais do que o apoio da comunhão no futsal, ela é bem amparada pelo companheirismo, principalmente quanto está em jogo a carreira da jogadora. É impossível não perceber o cuidado que Lucas tem neste aspecto. Basta chegar a um dos treinos do Umuarama Futsal Feminino para vê-lo na arquibancada. É companheiro na curta viagem de vinda aos treinamentos, nos jogos que ocorrem na região, e para aqueles que acontecem longe, lá está Lucas, de madrugada, no Ginásio de Esportes Professor Amário Vieira da Costa, à espera da chegada do ônibus do Umuarama Futsal Feminino que traz a amada.

Lucas Mateus Nascimento / administrador de empresas / Alto Piquiri

Apoiar sempre!

“Você tem que apoiar o sonho do outro, independente de qual seja esse sonho, e o dela sempre foi querer jogar bola profissionalmente, e eu sempre quis apoiar ao máximo que consigo, e espero fazer assim com meus filhos. Aliás, eu tenho minha turma que gosta de futebol e a deixo jogar junto, isso educa a molecada, ensina respeito, ensina que a igualdade é possível”.

Lucas Mateus Nascimento / administrador de empresas / Alto Piquiri

A regra de sorte no amor e azar no jogo não é válida para Nathy Frigo. No momento, o Umuarama Futsal Feminino está no G4 do Campeonato Paranaense de Futsal – Série Prata 2023 e a caminho das semifinais. Se manter o mesmo desempenho nos dois últimos jogos que restam nesta fase, as umuaramenses têm grandes chances de estarem na próxima. O penúltimo desafio será em Colombo, no próximo dia 26, às 19h, no Ginásio Célia Ceccon, contra o time da casa. Depois, em Umuarama, em jogo decisivo em que a torcida será fundamental, o time da Capital da Amizade enfrenta o Toledo, às 19h do dia 9 de setembro, no Ginásio de Esportes Professor Amário Vieira da Costa.

 

Nathalia Frigo / ala/pivô / Umuarama Futsal Feminino

Futsal, uma paixão

“O futsal tem tudo a ver com superar a si mesmo, é minha vida, minha paixão, não consigo ficar sem jogar. Quando eu jogo futsal me sinto livre, fico bem comigo mesma. E neste momento especial do meu time, espero contribuir muito em quadra para a busca do acesso à Série Ouro”.

Nathalia Frigo / ala/pivô / Umuarama Futsal Feminino



Nathy Frigo faz parte do Umuarama Futsal Feminino, que atualmente disputa a Série Prata do Campeonato Paranaense de Futsal 2023 com ótima campanha, está no G4, e que tem grandes chances de disputar o acesso à Série Ouro (Foto: Thalyta Silva/AFSU)

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