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Manual imobiliário

Modelo home club e lazer privativo passam a pesar na compra de imóveis em Umuarama

Empreendimentos com spa, quadras e áreas de convivência atraem investidores, mas juros altos limitam financiamentos e exigem cautela do setor

Publicado em 16/10/2026 às 17:51
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Mercado imobiliário de Umuarama se expande com lançamentos de alto padrão (Foto: Portal da Cidade Umuarama/Gabriel Rocha)

Condomínios horizontais de alto padrão estão se multiplicando em Umuarama, com lançamentos concentrados perto do Novo Centro e foco na estrutura de lazer dentro do próprio empreendimento. O movimento acompanha o que já acontece em cidades maiores e segue uma demanda sustentada pelo próprio público umuaramense, tanto de moradores quanto investidores.



Lazer dentro do condomínio passa a pesar na escolha

Segundo Rodrigo Scanavaca, consultor de negócios da FWS Empreendimentos, cerca de 80% dos compradores fazem parte da carteira de clientes de Umuarama, e os outros 20% são investidores de fora que enxergam potencial de valorização no município.

“O morador de condomínio horizontal tem quintal, jardim privado e um controle de acesso ideal para criar os filhos. Os prédios modernos trouxeram áreas de lazer que antes não existiam, mas o horizontal entrega mais espaço, mais segurança e mais senso de comunidade”, afirma Rodrigo.

Se no passado o comprador olhava principalmente para a portaria, hoje o foco migrou para a experiência dentro do condomínio. Lançamentos como o Jardins Residence Club, o Golden Lake e o Villa Serena incluem spas, quadras de beach tennis e até bistrôs privativos, e a moradia passou a funcionar como espaço de lazer da família.



Por que os lançamentos se concentram perto do Shopping Palladium

Os condomínios ficam lado a lado, principalmente na região do Shopping Palladium Umuarama, por quatro motivos apontados pela análise de mercado. O primeiro é a proximidade de serviços: o comprador de alto padrão quer a privacidade de uma casa, mas sem abrir mão de compras, farmácias e hipermercados a poucos minutos, o que reduz a dependência de longos deslocamentos. O segundo é a infraestrutura já existente, como as avenidas duplicadas, que diminui o custo de implantação para as construtoras.

O terceiro é a disponibilidade de terra: projetos desse tipo exigem glebas grandes e contínuas, e a Zona III e as proximidades do Parque Industrial reuniam as últimas áreas aptas ao fracionamento antes das restrições do novo Plano Diretor. O quarto é o contágio de confiança, comum em cidades médias: quando o primeiro condomínio vende bem, ele valida a região e atrai outros lançamentos.

Para Paulo Sérgio, corretor anunciante do Portal da Cidade Umuarama, essa proximidade beneficia o mercado como um todo.

Paulo Sérgio - Corretor - CRECI J-05841

Todos ganham

A concorrência saudável, lado a lado, é essencial para fazer o mercado girar. Todos os empreendedores precisam ter saída e garantir suas vendas, e é justamente essa proximidade que faz um projeto impulsionar o outro. Um condomínio isolado, sozinho num canto, não tem força para transformar uma região. Quando temos vários players investindo no mesmo local, criamos um polo atrativo para os compradores, fortalecemos a infraestrutura e aceleramos a valorização do vetor de crescimento.

Paulo Sérgio - Corretor - CRECI J-05841

Ainda segundo Rodrigo, os projetos também acompanham o vetor natural de crescimento da cidade. “É um movimento de amadurecimento que se vê em cidades maiores, onde o investimento em infraestrutura e a mudança no perfil dos moradores transformam a dinâmica da região. Como são empreendimentos de ciclo longo, a consolidação exige uma visão de cinco a dez anos”, diz.

Juros altos pedem cautela

Apesar do ritmo de lançamentos, o consultor avalia que o momento exige atenção ao cenário econômico. “Com a renda fixa pagando bem, o investidor só tira o dinheiro do banco diante de oportunidades com margem de ganho expressiva. O comprador final também pensa duas vezes antes de financiar e só fecha negócio quando há real necessidade de mudança. A retomada de um ritmo mais acelerado depende da queda dos juros”, afirma.



Alta dos preços não indica bolha, avaliam analistas

Os preços dos imóveis subiram de forma expressiva nos últimos anos, mas analistas interpretam o fenômeno como um reequilíbrio do mercado e uma recomposição de custos. Para existir uma bolha de verdade, seria preciso combinar crédito fácil, sem critérios rígidos, com uma especulação descolada da realidade, o que não é o cenário do mercado brasileiro.

O principal argumento está no custo de produção. O INCC (Índice Nacional de Custo da Construção, que mede a variação de preços de materiais e mão de obra) acumulou altas nos últimos anos, encarecendo materiais, terrenos e trabalhadores. O preço final dos imóveis, nesse caso, apenas repassa esse custo.

O ponto de atenção são os juros. Com a taxa Selic (a taxa básica de juros do país) em torno de 15% ao ano, o financiamento para a classe média ficou mais restrito. Com isso, a força do mercado se deslocou para o programa Minha Casa Minha Vida e para investidores de alta renda, que compram à vista.

O que muda na cidade

A expansão dos condomínios horizontais combina a força econômica do agronegócio com a atualização das regras urbanísticas. O novo Plano Diretor proíbe lotes de frente estreita, limita o fracionamento desordenado do solo e exige recuos ambientais e viários maiores, o que impõe novos padrões técnicos aos loteamentos.

Com empreendimentos de diferentes portes e níveis de sofisticação convivendo na mesma região, o mercado local mostra capacidade de absorver lançamentos de alto padrão, e a moradia em loteamentos fechados ganha espaço como referência de habitação, segurança e investimento para os próximos anos.

Fonte: Lucas Chagas/Portal da Cidade Umuarama

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