Portal da Cidade Umuarama

Dia do Radialista

“Aragão Filho, o repórter!”: o homem e a voz que fez do rádio um modo de viver

Por trás do microfone de mesa de som, uma história de vida guiada pela curiosidade, fé e paixão pela comunicação

Publicado em 07/11/2025 às 12:27
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Aragão Filho relembra sua trajetória no rádio e reflete sobre fé, curiosidade e o poder da comunicação (Foto: Portal da Cidade Umuarama/Gabriel Rocha)

Se você mora em Umuarama e, entre um compromisso e outro, já ligou o rádio do carro ou deixou o som ligado enquanto fazia algo em casa, é provável que tenha ouvido a vinheta marcante: “Aragão Filho, o repórter!”. A frase se tornou parte da rotina da Capital da Amizade, e também um símbolo da presença constante de um comunicador que atravessou décadas de transformações no rádio sem perder a essência do ofício.

Nesta sexta-feira (7), quando é celebrado o Dia do Radialista, em homenagem a Ary Barroso — compositor de clássicos como “Aquarela do Brasil” e “Rio de Janeiro” —, a data serve também para reconhecer vozes que, como a de Aragão Filho, ajudaram a construir a memória sonora da cidade.

O jornalista e radialista recebeu a equipe do Portal da Cidade Umuarama no ambiente que melhor o define: o estúdio de rádio. Diante da mesa de som e do microfone, entre memórias e risadas, contou a própria história — aquela que, por tantos anos, cedeu espaço para narrar as dos outros.



Do microfone ao exército, do exército ao microfone

“Eu nasci aqui, em Umuarama, em 1956. Então eu estou desde sempre aqui. No rádio, comecei em 1977. Mas antes já atuava com comunicação, fazendo dublagem de bonecos”, relembra Aragão. Em 1976, ele criava vozes de animais e personagens para o programa Clube do Quintalzinho, da TV Cultura, transmitido aos sábados e voltado ao público infantil, com mensagens e valores cristãos. “Já tinha esse gosto pelo microfone”, resume.

Antes do rádio, veio o Exército. Em 1975, serviu no Batalhão da Guarda Presidencial (BGP), em Brasília, responsável pelas solenidades oficiais da República. “Era um batalhão cerimonial. Quando vinha o presidente, o embaixador, a tropa estava sempre formada lá. O presidente da época era Ernesto Geisel”, recorda.

Entre as curiosidades do período, cita o convívio com figuras do governo militar, como João Batista Figueiredo, então chefe do SNI, e episódios inusitados das madrugadas de guarda. “O Figueiredo tinha insônia. Às vezes ele vinha conversar com os soldados. Uma vez, parou para conversar comigo. Falamos mais de uma hora. Ele conhecia muito bem o Paraná.”

Umuarama, Europa e o retorno às origens

De volta à cidade natal em 1977, Aragão iniciou a carreira profissional na rádio com Clóvis Bruno, seu primeiro patrão. “Foi uma das melhores pessoas que conheci. Me abriu as portas.” Na cena umuramense da rádio, Valdir Miranda é outra grande referência para Aragão,

Depois, vieram passagens por Curitiba, Florianópolis e até a Europa, onde viveu por três anos. “Morei um ano e meio em Milão e um ano e meio em Dortmund, na Alemanha. Lá eu era músico, tinha uma banda de samba e bossa nova. Tocávamos para brasileiros e estrangeiros. A banda chegou a ter destaque e deu pra ganhar bem”, conta, rindo.

Mas o destino o trouxe de volta a Umuarama e ao rádio. “Hoje sou radialista, locutor para eventos, colunista de jornal impresso e colaborador da Diocese. A Rádio Amizade FM pertence à Diocese de Umuarama, e desde que foi adquirida, sempre me senti muito acolhido”, afirma. Segundo ele, a relação entre profissional e emissora é simbiótica: “A rádio precisava de mim, e eu precisava dela. Fechou.”

O rádio, escola da comunicação

Mesmo com a ascensão da televisão e da internet, Aragão nunca duvidou da força do rádio. “Quando surgiu a TV, diziam que o rádio ia morrer. Mas aconteceu o contrário. A televisão buscou os profissionais do rádio, porque o rádio é a escola da comunicação”, defende. Ele cita uma frase para ilustrar: “O dia que a internet acabar, quem vai dar a notícia vai ser o rádio”.

E completa: “É o único meio em que você não precisa parar o que está fazendo. Está dirigindo, trabalhando, e continua ouvindo. Isso é insubstituível.” Durante a pandemia, lembra, o rádio foi o meio que mais cresceu. “A TV estava muito politizada, e as pessoas procuraram o rádio, onde a comunicação era mais suave, mais próxima.”

Além do microfone, Aragão também se dedicou à teologia. “Sempre gostei de filosofia oriental e religião. Estudei dois anos no Instituto Bíblico de Maringá. Queria conhecer outras crenças para fortalecer a minha fé. Sou devoto de Nossa Senhora Aparecida e me sinto protegido por ela.”

A comunicação, contudo, nunca deixou de persegui-lo. “Mesmo quando eu não queria, o microfone aparecia. Desde criança eu gostava de ler em voz alta na escola. Acho que já estava no sangue.”

Entre suas referências, Aragão cita nomes que marcaram o rádio e a televisão brasileira. “ Cid Moreira, com a emoção na palavra; e Antônio Caio, da Rádio Globo. Entre os comunicadores populares, o Ratinho é um gênio. Trabalhamos juntos por dois anos e meio, em Curitiba, antes de ele ir pra São Paulo”, recorda.

Ele também conviveu com Celso Freitas, hoje apresentador renomado da Record. “Trabalhamos juntos em Florianópolis, na Diário da Manhã. Ele também serviu em Brasília. É um grande profissional.”

Uma voz que pertence à cidade

Ao longo de mais de quatro décadas de carreira, Aragão Filho testemunhou as mudanças tecnológicas, os novos formatos e os diferentes públicos. Mas, para ele, o essencial permanece: “O rádio continua sendo o meio da comunidade. Enquanto houver gente querendo ouvir e alguém com algo verdadeiro a dizer, o rádio estará vivo.”

E, em Umuarama, essa voz tem nome e vinheta reconhecida:

“Aragão Filho, o repórter!”

Fonte: Portal da Cidade Umuarama

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