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Aluguel em Umuarama é o mais barato entre as 22 maiores cidades do Paraná, aponta estudo

Levantamento da Gazeta do Povo cruza segurança, saneamento, saúde e renda com locação e põe o município em primeiro no custo-benefício de moradia

Publicado em 03/11/2026 às 17:48
Atualizado em

Umuarama lidera ranking do melhor custo-benefício para alugar imóvel no Paraná (Foto: Portal da Cidade Umuarama/Gabriel Rocha)

Umuarama tem o aluguel mais barato entre as 22 maiores cidades do Paraná e ocupa o primeiro lugar no ranking de custo-benefício de moradia, segundo levantamento da Gazeta do Povo com anúncios coletados entre 20 e 23 de outubro de 2026. O preço médio anunciado na cidade é de R$ 11,60 por metro quadrado (m²) privativo, o menor da amostra. Na nota de qualidade urbana, que reúne indicadores de segurança, saneamento, saúde e renda, o município soma 72,53 pontos em uma escala de zero a 100.

A análise considerou as cidades paranaenses com mais de 100 mil habitantes e cruzou a qualidade urbana de cada uma com o valor do aluguel residencial. A renda média dos trabalhadores formais de Umuarama equivale a três salários mínimos, e o saneamento aparece entre os pontos positivos.

Interior lidera o custo-benefício

Depois de Umuarama, o segundo lugar é de Arapongas, no norte do estado, com 38,65 pontos no índice de custo-benefício contra 62,52 de Umuarama. A cidade registrou a menor taxa de homicídios entre as analisadas, de 6,5 por 100 mil habitantes, e tem nota de qualidade urbana de 64,59, com aluguel médio anunciado de R$ 16,71/m².



Maringá fica em terceiro no custo-benefício, com 24,86 pontos. A cidade tem a segunda maior nota de qualidade urbana, 81,38, e os melhores resultados da amostra em arborização e saúde infantil, mas o aluguel anunciado é de R$ 32,74/m². Curitiba aparece em décimo lugar, com 20,65 pontos. A capital tem a maior nota de qualidade urbana (93,36) e a maior média salarial, de 3,6 salários mínimos, mas também o aluguel mais caro do levantamento, a R$ 45,20/m².

CidadeQualidade urbana
(0 a 100)
Aluguel anunciado (R$/m²)Índice de custo-benefícioPosição
Umuarama72,5311,6062,521º
Arapongas64,5916,7138,652º
Maringá81,3832,7424,863º
Curitiba93,3645,2020,6510º

Fonte: levantamento da Gazeta do Povo, com preços anunciados coletados em 20 a 23 de outubro de 2026.

Pressão imobiliária chega ao interior

Ouvida pela reportagem, a professora de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual de Maringá (UEM) Beatriz Fleury Silva avalia que a menor verticalização, ou seja, a construção de prédios altos, ainda ajuda a segurar os preços em cidades menores. Para ela, o cenário já está mudando, e a pressão do mercado imobiliário começa a alcançar essas regiões.

Como exemplo, a docente cita imóveis de 17 a 19 m² no novo centro de Maringá, alugados por R$ 1.500. Na avaliação dela, o valor reflete a pressão de mercado e um lucro acima do que o custo do metro quadrado justificaria. Segundo a professora, o preço já leva estudantes de pós-graduação a desistir de morar na cidade, o que pode gerar segregação socioespacial, situação em que até a classe média deixa de conseguir permanecer em áreas valorizadas.




Aluguel caro nem sempre traz mais serviços

A professora Maria Carolina Maziviero, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), explica que parte dos preços altos vem da chamada renda da terra. Investimentos públicos em saúde, educação e transporte valorizam a região, e, sem planejamento urbano que capture parte dessa valorização para políticas de interesse coletivo, o ganho fica com os proprietários.

Segundo ela, o Estatuto da Cidade (Lei Federal nº 10.257/2001) prevê instrumentos para isso:

  • ZEIS (Zonas Especiais de Interesse Social): áreas destinadas a habitação social.

  • IPTU Progressivo no Tempo: imposto que aumenta ao longo dos anos para imóveis que não cumprem sua função social.

  • Direito de preempção: preferência do poder público municipal na compra de determinados imóveis.

Beatriz Silva acrescenta que o Plano Diretor, definido com a sociedade em audiências públicas, também ajuda a equilibrar os preços e conter a expansão desordenada e os loteamentos irregulares. Segundo a docente, a população deve acompanhar as mudanças na legislação.



No ranking, Paranaguá aparece como exemplo contrário: tem o segundo aluguel mais caro do estado e a última posição em custo-benefício, com as piores notas em segurança e saúde infantil.

Como o levantamento foi feito

A nota de qualidade urbana combina seis indicadores, cada um com um peso. O Índice de Progresso Social (IPS) e a segurança pública valem 25% cada. Renda e emprego representam 20%, e saúde infantil, arborização e saneamento básico, 10% cada.

O preço do aluguel é a média anunciada por m² privativo para novos contratos de casas e apartamentos de um a três dormitórios, coletada em anúncios do ZAP, VivaReal e Chaves na Mão. Imóveis comerciais, rurais e de alto padrão ficaram de fora. O índice de custo-benefício é a nota de qualidade urbana dividida pelo preço médio do aluguel e multiplicada por dez.

A própria Gazeta do Povo ressalta que o ranking compara apenas as 22 cidades da amostra, com base nos indicadores escolhidos, e não mede a qualidade de vida de todo o Paraná. A localização das cidades e o tamanho da população não entraram no cálculo.


  • Como citado na matéria, o conteúdo é uma produção realizada pela Gazeta do Povo e pode ser lida na íntegra através deste link.

Fonte: Portal da Cidade Umuarama com informações de Gazeta do Povo

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