Portal da Cidade Umuarama

Prevenção

Estratégias contra o número alarmante de suicídios são discutidas em Umuarama

Foco foi a prevenção e a estruturação de uma rede multidisciplinar para ampliar a atenção à saúde mental

Postado em 11/04/2019 às 09:47 |

O psiquiatra Sebastião Maurício Bianco lembrou que o tratamento fica muito restrito à medicação (Foto: Tiago Boeing)

Representantes de entidades ligadas às áreas de saúde, assistência social, educação e segurança pública se reuniram na manhã desta quarta-feira (10) no auditório do Procon Municipal, para discutir estratégias de atendimento em saúde mental e refletir sobre o alarmante volume de tentativas de suicídio – algumas delas concretizadas – registrado no sistema de saúde local. O foco foi a prevenção e a estruturação de uma rede multidisciplinar para ampliar a atenção à saúde mental.

Fortalecer o diálogo e a ação para cuidar da vida das pessoas é o objetivo, segundo a secretária municipal de Saúde, Cecília Cividini. “Precisamos rever as políticas do setor e trabalhar em conjunto, reunindo os serviços oferecidos pelo município, Estado e sociedade organizada, para atender melhor os pacientes que surgem nos postos de saúde, nas escolas e na comunidade, pois os números são alarmantes”, disse a secretária.

O problema se agrava por conta do isolamento dentro da família, desestruturação da vida profissional, social e familiar, perda de valores e deficiências da rede de proteção, por questões de organização ou falta de profissionais, aponta a secretária. “Precisamos refletir sobre o que cada um tem feito e o que podemos fazer para ampliar a atenção. A presença de tantas pessoas nessa reunião – o auditório estava lotado – mostra que a nossa preocupação é compartilhada pela sociedade, então precisamos organizar ações efetivas”, disse Cecília Cividini.

Em nome do prefeito em exercício Hermes Pimentel da Silva, que estava em Brasília participando da Marcha Nacional dos Prefeitos, o secretário de Gestão Integrada e chefe de Gabinete, Luiz Genésio Picoloto, defendeu a ação conjunta entre setores como saúde, assistência social e educação, com o envolvimento da sociedade civil organizada. “O suicídio de jovens e idosos é preocupante, por mais variáveis que sejam as causas. A sociedade organizada e a igreja precisam se juntar ao poder público para oferecer uma saúde mental mais adequada e próxima das necessidades da população, fazendo frente ao modo de vida da população, que hoje tende ao distanciamento entre as pessoas”, apontou.

A secretária Izamara Amado de Moura falou sobre o trabalho realizado pela rede assistencial do município, que serve como porta de entrada através dos Cras (centros de referência em assistência social), Creas (centro especializado), centro de convivência dos idosos, Centro da Juventude, Família Acolhedora e outros organismos correlatos que têm contato direto com a população mais carente, e da parceria com o setor de Saúde Mental da Secretaria de Saúde.

“Precisamos de fato fortalecer a rede de atenção nesse setor, reforçar a equipe técnica e encaminhar os pacientes para atendimento o mais rápido possível, mas também investir na prevenção, fortalecer as relações, aprender a ajudar o próximo e melhorar o convívio familiar”, destacou.

A coordenadora de Saúde Mental da Secretaria de Saúde, psicóloga Cátia Faquinete, explicou o trabalho do Serviço de Atendimento Psicológico (SAP) do município, casas terapêuticas, Nasf (Núcleo de Apoio à Saúde da Família) e da grande demanda por profissionais, já que o número de casos aumenta diariamente, em virtude de conflitos familiares e do momento que a sociedade vive. O psiquiatra Sebastião Maurício Bianco lembrou que o tratamento fica muito restrito à medicação – que precisa ser atualizada com as novidades do mercado –, mas que a mudança tem de começar em casa, no comportamento familiar, na atenção e na sociedade.

Os desdobramentos do encontro serão tratados nos próximos dias.


Fonte:

Deixe seu comentário