Portal da Cidade Umuarama

nas ruas

Entregadores de Umuarama relatam as dificuldades enfrentadas no dia a dia

O número de entregas aumentou. Agora vistos como trabalhadores essenciais, os motoboys buscam apoio da população para melhores condições de trabalho

Postado em 10/07/2020 às 15:30 |

Criação de uma associação traz a expectativa de melhores condições trabalhistas (Foto: Portal da Cidade Umuarama)

Um dos poucos profissionais que seguiram trabalhando sem pausas durante a pandemia são os motoboys e entregadores de comida. São eles que se arriscam no trânsito diariamente para entregar pedidos em tempo hábil e em perfeitas condições.

Quando recebemos um pedido, a interação é tão automática, que nem imaginamos as adversidades rotineiras enfrentadas por esses trabalhadores. Algumas dessas dificuldades só podem ser solucionadas com políticas públicas, melhor infraestrutura e uma legislação que garanta melhores condições de trabalho, no entanto, boas práticas entre os clientes resolvem boa parte delas.

O Edson Serafim dos Santos, de 31 anos, trabalha como entregador há um ano em Umuarama. Começou como um meio complementação de renda e com advento da pandemia, passou a se dedicar exclusivamente à ocupação.

Entre as principais reclamações corriqueiras compartilhadas pelos colegas do mesmo segmento, estão os descuidos e a falta de atenção de alguns clientes. “Muitos colocam o endereço errado, demoram a atender a companhia. Seria muito mais ágil o nosso trabalho se todos já deixassem o dinheiro separado corretamente, ficassem atento ao barulho da moto e colocassem um ponto de referência. Quando atrasamos em um pedido, consequentemente atrasaremos os demais”, relata.

Problemas com má identificação de ruas e falta de meio de pagamento por parte dos clientes podem acarretar atraso no trabalho (Foto: Portal da Cidade)

Dificuldades

Além de problemas já conhecidos entre os motociclistas como o asfalto precário em algumas regiões, falta de iluminação e identificação nas ruas, um outro problema foi agravado com pandemia: a falta de segurança. Com ruas e avenidas vazias depois das 18h, segundo o entregador, o risco de assalto aumentou. “São inúmeros os riscos que corremos. Mas sabemos que ainda há muita gente que ficou desempregada, então é o nosso meio de sustento”, afirma.

Com popularização dos aplicativos de delivery e as restrições de consumo em restaurantes, a demanda no segmento cresceu exponencialmente, mas ainda não existe consenso em relação a valores e taxas dos serviços prestados. “Este é ainda um dos motivos de queixas entre os entregadores. O trabalho é terceirizado e ganhamos por entrega. Há empresas que pagam muito abaixo da média, que é de R$ 7,00, que considerados o ideal, mas continuamos para não perder o serviço”, comenta o motoboy.

Jornada exaustiva

Edson inicia o expediente às 08h fazendo entregas para uma farmácia, faz uma pausa às 10h50 para começar entregas em um restaurante, até as 14h. Depois, volta para a farmácia, onde trabalha até às 18h. Às 19h começa o expediente noturno, entregando comida para duas empresas, até às 23h. “Essa é a realidade de muitos no setor, como trabalhamos por conta, nem sempre atingimos o número de entregas para ter um bom lucro, então, apesar de cansativo, estamos sempre ‘na ativa’”, disse.

Melhores condições e direitos

Afim de pleitear condições de trabalhos mais dignas e mais direitos para a categoria no município, entregadores têm se unido e organizam a criação de uma associação. Edson é um dos que estão à frente deste movimento em Umuarama. Recentemente, uma paralisação nacional de entregadores de aplicativo protestou por essas mesmas pautas.

“Em Umuarama não aderimos a esse movimento, pois nosso modelo de trabalho ainda é ligado diretamente às empresas e não aos aplicativos. Alguns aplicativos desse tipo já tentaram ser instalar na cidade, porém, por ser de médio porte, o lucro é pequeno para se ganhar por quilometragem, que é a forma de pagamento desses aplicativos”, explica.

De acordo com ele, atualmente são 50 motoboys interessados em fazer parte da associação. “A previsão é de que até o mês que vem todos os trâmites sejam concluídos, para que a partir de então, organizados, consigamos regulamentar alguns direitos, pelo menos dentro do nosso município”, finaliza.


Fonte:

Receba as notícias de Umuarama no seu WhatsApp.
Clique aqui, é gratis!

Deixe seu comentário