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Tristeza

Dor marca enterro em Umuarama de criança morta sob suspeita de espancamento

Menino de 3 anos morreu na noite de quarta-feira (12) em Cruzeiro do Oeste e a forma como a morte pode ter ocorrida choca a comunidade

Postado em 14/02/2020 às 11:44 |

Enterro da criança no Cemitério Municipal de Umuarama foi marcado pela comoção e dor dos parentes (Foto: Portal da Cidade Umuarama)

Nesta sexta-feira (14), às 11h, foi sepultado o corpo do menino de 3 anos morto em Cruzeiro do Oeste na noite desta quarta-feira (12). O enterro da criança no Cemitério Municipal de Umuarama foi marcado pela comoção e dor dos parentes e a notícia de como a morte pode ter sido provocada despertou também consternação e a revolta de moradores da região. Tio é suspeito da morte e está preso.

Conforme a assessoria de comunicação social do 7º Batalhão da Polícia Militar de Cruzeiro do Oeste, policiais da corporação foram acionados na noite de quarta pelo plantão do hospital do município após atendimento à vítima, que foi levada até a unidade médica pelo Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) com ferimentos aparentemente provocados por agressões.

Em entrevista à RPC TV, o diretor do Hospital Municipal de Cruzeiro do Oeste disse que a criança chegou desacordada e que apresentava escoriações e hematomas pelo corpo e um sinal de desidratação. “Ela apresentava lesões nos lábios, barriga, nas pernas, e assim, a gente não pode afirmar, mas eram lesões recentes e algumas cicatrizes indicando lesões mais antigas”, revelou Henrique Cardoso Rocha.

Velório ocorreu na capela da Acesf em Umuarama

Chocados

Mesmo acostumados com casos críticos, membros da equipe médica que realizou o atendimento à criança revelaram ao Portal da Cidade de Cruzeiro do Oeste que ficaram devastados após a morte do menino. Foi uma hora trabalhando incansavelmente para tentar ressuscitar ele.

Segundo o Conselho Tutelar de Cruzeiro do Oeste, houve uma denúncia anônima de maus-tratos à criança no fim de 2019 e que foram realizados todos os procedimentos que o órgão poderia fazer, inclusive encaminhando a denúncia para que fosse investigada pela Polícia Civil.

Em contato com a secretária Municipal da Educação, Onilda de Andrade Almeida Barbosa, ela relatou que há registro em ata, em novembro de 2019, onde o menor faltou uma semana no CMEI Cantinho dos Anjos, onde estudava, e que quando retornou estava com escoriações no corpo, dentro dos olhos e com a boca machucada.

Parentes e amigos acompanharam o sepultamento

Foram acionados os tios responsáveis que alegaram que o menino dava muito trabalho e que teria queimado a boca com café quente. Na mesma ocasião, o tio, principal suspeito do crime, teria sido agressivo com a diretora Neide Ferraresi, chegando a ameaçá-la publicamente. Contudo, o exame pericial não constatou agressões, acredita-se que devido à demora em sua realização, segundo a secretaria.

“Eu fico indignada ao ver como nossas crianças estão desprovidas de proteção, onde apesar dos relatos de agressão, permanecem nas mãos de seus agressores. A fragilidade da lei nos leva a uma constante insegurança. Nunca havia visto uma situação destas em nosso município e quando esta abominação acontece próxima a nós, nos assusta”, desabafou a secretária.

Outro comportamento que pode revelar que a criança poderia estar sofrendo violência doméstica era o choro na hora da saída do CMEI. Segundo funcionários, o menino agarrava-se na professora, resistindo a ir para os braços dos tios.

“Ao chegar ao CMEI me deparei com funcionários transtornados, aos prantos, então entendi que não havia condições de trabalho, pois muito além das aulas, os CMEIS trabalham com afetividade e envolvimento com a criança”, relatou a secretária municipal ao decretar a dispensa de aulas nesta quinta-feira (13).

Durante o velório e sepultamento, parente e amigos lamentaram a morte da criança

Dor 

Devanilda Silva cuidou da criança por dois anos em Umuarama. Ela era casada com o irmão biológico do pai do menino e depois de se separar, sob o motivo de não ter mais vínculo afetivo com a família, a Justiça determinou que a criança fosse encaminhada para outros parentes. “Se eu soubesse que ia acontecer isso, eu teria entrado no Fórum e tinha pegado essa guarda e cuidaria dele até o pai sair. Foi uma criança que a gente cuidou, zelou, foi uma morte triste”, desabafou a tia em entrevista à TV Caiuá.

Investigação em andamento

A Polícia Civil que está responsável pela investigação do caso também foi procurada pelo Portal da Cidade de Cruzeiro do Oeste, contudo não houve pronunciamento oficial, já que a investigação está em andamento. Informações extraoficiais e dos familiares indicaram que o laudo pericial no corpo da vítima apontou que a causa da morte se deu por traumatismo craniano.

O menino estava há apenas seis meses sob a tutela dos tios em Cruzeiro do Oeste, vindo de lar provisório de outros parentes em Umuarama e o tio, preso pela Polícia Militar, é o principal acusado pela morte, já que era o único adulto que estava com a criança no momento em que ela passou mal. Os pais biológicos estavam impedidos de ter a guarda da criança devido a passagens criminais e problemas com drogas, conforme informações dos familiares ouvidos durante o velório.

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