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Reviravolta

Presos por extorsão em Umuarama, ex-réus caem em contradição e um confessa homicídio

Dupla investigada por atentados contra lojas de veículos havia sido inocentada de assassinato de 2023 no início deste ano

Publicado em 05/06/2026 às 14:09
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Ricardo Aparecido da Silva foi assassinado na noite de 30 de outubro de 2023, em frente à residência onde morava (Foto: Divulgação)

Uma operação da Polícia Civil do Paraná (PCPR), conduzida por meio da 7ª Subdivisão Policial de Umuarama no dia 26 de maio, resultou na prisão preventiva de dois homens, de 26 e 36 anos. A dupla é investigada por integrar um violento esquema de extorsão contra pelo menos cinco proprietários de comércios de revenda de automóveis na cidade, além de crimes como disparo e porte ilegal de arma de fogo de uso restrito e dano qualificado.

As investigações apontam que a dupla monitorava e coagia os estabelecimentos. No final de abril, os suspeitos filmaram a fachada de uma das garagens enquanto ostentavam uma arma de fogo e proferiam ameaças aos donos.

Dias depois, na madrugada de 28 de abril, os criminosos dispararam diversas vezes contra a fachada do local, atingindo e danificando veículos em exposição. Não bastasse o atentado, os autores filmaram a própria ação e usaram as imagens para extorquir, via aplicativo de mensagens, outro comerciante do mesmo ramo. As coações e cobranças continuaram nos dias seguintes.

A Polícia Científica periciou o local dos ataques e constatou que os projéteis eram de calibre 9mm, armamento considerado de uso restrito. Durante a operação que prendeu os suspeitos, os policiais apreenderam dois celulares, mas a pistola utilizada não foi localizada. Ao serem ouvidos na delegacia, os dois investigados adotaram posturas diferentes, mas que impressionaram as autoridades.

O suspeito de 36. preferiu exercer seu direito constitucional e permaneceu em silêncio. Já o de 26 confessou integralmente os ataques às garagens e, em tom de afronta, declarou que a pistola 9mm continua escondida à sua disposição e que, assim que ganhar a liberdade, voltará a procurar as vítimas. Ele tentou apenas se esquivar de outro caso, alegando que sua arma não teria sido usada no assassinato recente de Adriele Priscila Lima da Rosa.

A prisão da dupla jogou por terra uma farsa jurídica que havia garantido a liberdade deles no início de 2026. Ambos haviam sido julgados e absolvidos pelo Tribunal do Júri de Umuarama pelo homicídio qualificado de Ricardo Aparecido da Silva, ocorrido em outubro de 2023.

Na época daquele processo, os dois sustentavam a tese de que sequer se conheciam. A defesa de foi ainda mais longe para convencer os jurados: argumentou que o homem de 36 possui uma perna amputada e que tal condição física tornaria impossível sua participação em um crime violento daquela natureza.

A farsa, no entanto, acabou de forma espontânea. No momento em que recebeu voz de prisão pelo caso das extorsões, o susupeito confessou voluntariamente aos policiais civis e militares que foi, sim, o autor do assassinato de Ricardo Aparecido da Silva em 2023.

O criminoso revelou que decidiu falar a verdade por acreditar piamente na impunidade, achando que, por já ter sido absolvido em definitivo pelo júri popular, a legislação o blindaria de sofrer qualquer nova consequência jurídica pelo mesmo fato. Os dois investigados tiveram suas prisões mantidas e permanecem trancados no sistema carcerário, agora à disposição da Justiça pelas extorsões vigentes e pelas reviravoltas do caso anterior.

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