Portal da Cidade Umuarama

Orlando de Carvalho

Aeroporto de Umuarama carrega a história de um pioneiro e os sonhos do futuro

Da pista de terra aos jatos executivos, Capital da Amizade busca honrar seu primeiro piloto, que fez do voo um ato de amor e serviço à comunidade

Publicado em 09/07/2025 às 17:59
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Casado com Lourdes Salete Remor de Carvalho, Orlando deixou um legado que ainda paira sobre a cidade (Foto: Arquivo pessoal)

Construído no final da década de 1950, com uma simples pista de terra, o aeródromo de Umuarama nasceu como um ponto de apoio modesto em meio à vastidão do Noroeste paranaense. Ao longo das décadas, sua história foi escrita entre reformas, nomes trocados e o desejo persistente de conectar a cidade ao país por meio da aviação comercial.

Hoje, ele ostenta oficialmente o título de Aeroporto Regional Orlando de Carvalho, resultado de sucessivas modernizações e de uma homenagem carregada de significados. A primeira grande transformação veio nos anos 1970, com convênios firmados entre o município e o Governo do Paraná para a construção da pista e demais instalações.

Uma breve história

Em 1975, o local passou a se chamar Aeroporto Presidente Ernesto Geisel, nome que durou até 1989, quando o então prefeito Alexandre Ceranto sancionou a lei municipal que batizava o espaço com o nome de Orlando de Carvalho — um dos primeiros pilotos de avião da cidade. Em 2011, a nomenclatura ganhou o prefixo “regional”, refletindo a ambição de Umuarama em se posicionar como polo logístico aéreo.

Entre 2019 e 2020, a gestão municipal conduziu uma reforma estrutural de R$ 18 milhões. A pista de pouso foi ampliada e realocada, atingindo 1.430 metros de extensão por 30 metros de largura, com faixas laterais de segurança de 75 metros. Um novo terminal de passageiros foi entregue com cafeteria, sala de reuniões, climatização, wi-fi, esteira de bagagens, sistema de raio-x e capacidade para até 70 passageiros em espera.

As adequações deixaram o aeroporto apto a receber aeronaves de médio porte, viabilizando voos comerciais e elevando o status do terminal a um novo patamar de operação. Mas além dos números e do concreto, o aeroporto carrega em seu nome o legado de Orlando de Carvalho, figura intrínseca da memória afetiva e histórica da Capital da Amizade.

O homem por trás da ideia

Sr. Orlando de Carvalho era mais do que um piloto. Foi empresário visionário, voluntário incansável e amigo das causas urgentes. Chegou em Umuarama em 1965, quando ainda buscava um lugar próspero para viver. Aqui, fundou a empresa Pró-Fértil, que mais tarde se expandiria para sete filiais. Era um grande comunicador — sabia ouvir e ser entendido. Transformava clientes em amigos, e negócios em encontros.

Casou-se com Lourdes Salete Remor de Carvalho em 1970. Foi na companhia dela que Orlando construiu não só sua família, mas também o sonho de abrir novos espaços. Comprou terras no Mato Grosso, fundou a Fazenda Nossa Senhora Aparecida, e entre idas e vindas, decidiu adquirir um avião — não só para otimizar seu tempo, mas para realizar o que considerava um antigo chamado: voar.

Foto: documentário: Eu Amo Umuarama - 64 anos de Umuarama - Prefeitura

Fez curso de piloto, passou a pilotar sozinho, e com o tempo, transformou a aeronave em extensão de sua vocação solidária. Transportava pacientes entre cidades, levava o Papai Noel até as crianças das creches nos natais, e colaborava com ações emergenciais da cidade. Quando foi presidente do Banco de Olhos de Umuarama, realizava viagens constantes para buscar e levar córneas destinadas a transplantes. De sua própria aeronave, partiam fragmentos de esperança.

Era assim. Generoso, disponível, incansável. Se soubesse de alguém precisando, movia céu e terra para ajudar. Nunca deixava ninguém sair de mãos vazias. E fazia tudo sem buscar reconhecimento — como contou Salete, nem ela sabia de todas as doações. Sabia apenas dos natais mágicos, quando ele anunciava: “Hoje o Papai Noel vai pousar no aeroporto.” E assim começava a festa.

Foi esse mesmo avião, símbolo de tantos gestos altruístas, que acabou marcando o fim de sua jornada. Em 6 de março de 1987, Orlando faleceu durante um voo rumo à fazenda da família, após ser surpreendido por uma tempestade. Tinha apenas 42 anos. Partiu voando, como quem não sabia pisar devagar sobre a terra. Morreu daquilo que mais amava, no ato de ser quem sempre foi: um homem que unia os pontos entre pessoas e distâncias.

Professora aposentada, ela diz que ele foi um exímio piloto, um ótimo companheiro e, acima de tudo, um amigo fiel de Umuarama. No velório, uma fila de pessoas se formou. Salete se surpreendeu com a fila de senhorinhas e senhores que vinham se despedir. Ao contrário do que possa parecer, talvez não fosse somente o luto pela perda de Orlando, mas um gesto de gratidão por tudo que ele fez.


Uma paixão que ainda ecoa nos céus

Hoje, o Aeroporto Regional Orlando de Carvalho segue em sua jornada de estruturação para o retorno pleno dos voos comerciais. Em épocas festivas ou eventos agroindustriais, o espaço já recebe jatos particulares, autoridades e artistas, é base de apoio para operações militares na fronteira, espetáculos como o Umuarama Air Show, indicando um sinal de que Umuarama está no radar de quem voa alto. 

Mas além da funcionalidade, o aeroporto é também monumento de nossa cidade, uma memória material que sobrevoa a cidade e lembra a todos que um homem, seu avião e seu amor por Umuarama ainda inspiram aqueles que acreditam em um futuro com mais conexões, oportunidades e humanidade.

A cidade ainda reinicia seus passos na aviação comercial, mas já carrega no peito — e na pista — a certeza de que voar é, antes de tudo, um gesto de coragem. E ninguém entendeu isso tão bem quanto Orlando de Carvalho.

Fonte: Portal da Cidade Umuarama

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