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Liturgia do Sangue

Compartilho com os leitores, uma grande obra paranaense do escritor curitibano Renato Bittencourt Gomes que por Moacir Scliar, é versado "Liturgia do Sangue: Memória do lobo é obra de um escritor que já tem seu lugar garantido na nova literatura brasileira".


O conto é uma arte tão antiga quanto difícil, tão complexa quanto sintética. Como a esfinge de Édipo, o conto intima o contista: "Decifra-me ou te devoro". Renato B. Gomes é dos que decifram o enigma do conto. Mais do que isto, é daqueles que o transformam numa peça literária capaz de cativar o leitor. Provam-nos as histórias desta Liturgia do Sangue: A memória do lobo, resultantes de sete anos de trabalho, o que, se evidencia as dificuldades do gênero conto, é uma prova também de sólida vocação literária.


As narrativas não seguem o modelo clássico da história com personangens, descrições, diálogos. É antes um monólogo que, através dos vários contos, mantêm certa continuidade por causa de um denominador comum igualmente evidente, e que está sintetizado já na frase inicial como "A frágil espécie": "Carrego comigo a essência das feras." Evocação a Darwin? Talvez, mas não só. O autor revela-nos, nestas histórias, o nosso lado oculto, o lado instintivo, animal, o lado lobo. Tomem o conto os "Filhos da lei". Deveria ser o discurso de alguém que está num jantar de amigos, de profissionais: algumas palavras formais, convencionais. Mas não, o que temos ali é uma verdadeira dissecção, uma exposição do que são de fato essas reuniões: "Toda mesa é altar, em todas podemos oferecer o sacrifício", diz o personagem. Um sacrifício que se refere a pessoas imoladas em nome da vaidade, de ambição. Estamos falando, pois, de uma temática mais que atual: a temática do conflito, que se manifesta de várias formas - nas brigsas familiares, na disputa por cargos e vantagens, na competição desenfreada e, finalmente, no crime e na violência que são uma constante na vida brasileira.


Essa temática ganha uma dimensão especial graças à admirável linguagem literária de Renato. Escritor jovem, ele demonstra um surpreendente domínio de forma ficcional: mais que isto, consegue introduzir em sua narrativa elementos poéticos (não é de admirar que sejam várias as epígrafes de poetas e compositores).


Boa leitura!



Fonte: Liturgia do Sangue

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